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Data Centers submarinos

Foto: UN

Um Datacenter (centro de dados) é uma instalação projetada para abrigar, alimentar e resfriar equipamentos de computação, principalmente servidores que armazenam, processam e distribuem dados. É essencial para os serviços online que temos hoje, como enviar mensagens, assistir vídeos, usar aplicativos de banco, rodar IA, etc.

É visto como um grande negócio, mas são grandes consumidores de eletricidade e água. Na Irlanda, em 2025, o impacto foi muito grave, onde os data centers consumiram 7.663 GWh, 22% de toda a eletricidade do país e a projeção é chegar a 30% até 2030. E o consumo de água foi de 46 bilhões de litros de água. E isso faz os preços subirem e traz a ameaça de disputa pelos recursos.

Nos Estados Unidos, os danos causados são bastante abrangentes. Na Pensilvânia, as tarifas de eletricidade aumentaram 15%, aproximadamente o dobro da média nacional.

No Mississippi, a xAI, empresa de Musk, e a SpaceX foram processadas coletivamente por mais de dez mil moradores locais devido ao ruído contínuo da usina elétrica que alimenta o Data Center de IA. Além do prejuízo à saúde, há desvalorização de suas casas.

Já moradores de Morrow, Oregon, processaram a Amazon, alegando que a água utilizada para resfriar os servidores do data center continha nitratos. Essa água foi utilizada para irrigação, voltando para as águas subterrâneas e contaminando os poços de 45.000 moradores que dependem dessa água para beber. A Amazon concordou em pagar 20,5 milhões de dólares em acordo, mas negou irregularidades.

Apenas no primeiro semestre de 2026, pelo menos 75 projetos de Data Centers nos Estados Unidos foram interrompidos ou adiados, envolvendo um valor de aproximadamente 130 bilhões de dólares.

Em 2014, no evento ThinkWeek da Microsoft, propôs-se pela primeira vez o conceito de Data Center subaquático, mais econômico pois teria a refrigeração natural. Em 2015, a MicroSoft criou o projeto Natick que fez um protótipo e depois, em 2018, colocou um Data Center do tamanho de um contêiner no fundo do mar, por dois anos. Mostrou maior confiabilidade, mas com custos maiores.

Como acontece nos dias de hoje, a China também possui projetos de Data Centers submarinos, e já se encontra em fase de operação comercial. O primeiro foi instalado Lingshui, Hainan iniciado em 2023, operando de forma estável por quase 3 anos. Utiliza a corrente de ressurgência próxima à costa, com temperatura da água do mar permanentemente abaixo de 24,5°C para resfriamento natural. Em plena carga, economiza 26.000 toneladas de água e 3,4 milhões de kWh de eletricidade por ano em comparação com data centers terrestres tradicionais, com eficiência energética global superior em mais de 30%.

O Data Center submarino de Lingang, Xangai é o primeiro do mundo utilizando a energia eólica marítima. Ele entrou em operação em fevereiro de 2026. Está localizado a mais de 10 quilômetros da costa e a 10 metros de profundidade.

Que os próximos presidente e parlamentares estejam atentos à evolução dos chineses e que tratam os parceiros como iguais, não como subalternos.

 

Mario Eugenio Saturno