A mineirada e todos aqueles que um dia acreditaram que o multiuso das águas nos era realmente garantido conforme determina a nossa Carta Magna e, acabaram investindo tempo, recursos e, em muitos casos, a própria vida aqui nas regiões lindeiras aos lagos de Furnas e Peixoto, para não perderem o costume, mais uma vez, nesta semana, assistiram a mais um capítulo da novela que se arrasta há anos.

É claro, que novamente se encheram de esperanças, apesar do protagonista principal, a quem nós todos nos socorremos, muito bem representados pela ALAGO que, pela fala de seu secretário Executivo, o dinâmico Fausto Costa, em reunião do Grupo de Trabalho especialmente criado por ordem do senhor governador, com o fito principal de trabalhar em prol da solução do grave problema – (esvaziamento dos lagos) – , cobrou dele mesmo, do govenador do nosso Estado, uma postura mais agressiva em defesa da causa. Isto, em nome dos 52 municípios que aquela entidade congrega e também respaldado por diversos grupos sociais que representam mais de 250.000 seguidores que hoje formam um verdadeiro exército em defesa dos interesses mineiros. Notadamente, aqueles relacionados com a manutenção de quotas mínimas que permitam o multiuso de nossas águas, sem o que, os prejuízos socioeconômicos e ambientais a nós impostos há quase uma década, continuarão sacrificando pesadamente as populações desta enorme e um dia, progressista região. Um dia porque, sabidamente, sem as suas águas, o que hoje ali se vê, é muito barro fétido, desemprego, desalento, pobreza e fuga de capitais para os estados vizinhos, exatamente aqueles que são beneficiados com a riqueza (água) daqui “surrupiada”. 

Houve progressos na luta? Sim, claro que houve. Tanto que a mando do governador, o tal Grupo de Trabalho criado e composto por gente de proa das Secretarias Estaduais de Cultura e Turismo, de Meio Ambiente e de Saneamento, grupo este que se reuniu anteriormente por cinco vezes com os representantes da sociedade civil e de entidades que abraçaram para valer a causa e se movimentaram pelo Estado e por Brasília. Foram graças a estes grupos que conseguimos formar frentes parlamentares, multipartidárias, que apoiassem a causa e lograram no final do ano de 2020, ver uma Proposta de Emenda Constitucional aprovada, a chamada Emenda 106, promovendo o tombamento de tais águas e definindo as quotas 762 e 663, como patrimônios imateriais deste Estado.

E agora, falta o quê? Muito pouco! Apenas que o Estado, exija do ONS – Operador Nacional do Sistema, da ANA- Agência Nacional de Águas, da Aneel e de outros órgãos e Ministérios a quem a questão afeta, o cumprimento integral e irrestrito daquilo que a Constituição Mineira hoje exige.

Daí a razão do convite que a Alago e os mais de 220.000 membros integrantes dos grupos sociais levaram ao senhor governador durante a reunião, incitando-o a assumir de vez esta luta em prol do interesse mineiro, liderando-os.

Romeu Zema, como bom mineiro, participou da reunião, como os demais, remotamente, dando-nos mais uma prova de que a nossa esperança ainda é válida, precisa e deve ser mantida! Explicou em pouco tempo que todas as vezes que vai à Brasília, ele trata do assunto e soma seus esforços aos daqueles que também ali militam em favor da mesma causa, e deixou bem claro que, apesar da burocracia e dos empecilhos que ele reconhece, por lá existem,  assim como dos altíssimos interesses políticos e/ou econômicos que trabalham em direção oposta ao que pretendemos, ele, o governador de Minas, sem perder sua característica, “paciência e mineirice”, será sim, o timoneiro deste barco que apesar da falta de água a nós imposta, ainda navega em busca de uma solução plausível para sanar o problema que nos criaram. “Estamos no mesmo barco”, disse.

Também é preciso que enalteçamos o trabalho do atual secretário Leônidas (Turismo), da Milena (subsecretária), do representante da Alago (Fausto Costa) e de todos aqueles que lideram os grupos: Unelagos, Todos Por Furnas e Peixoto, Profurnas 762 e Luta Mineiro, além de mais uma infinidade de “artistas solo” que apesar de não se projetarem em tais eventos, vem igualmente trabalhando pela causa, muitos destes, há algumas décadas.

 Assim sendo, é verdade que mais uma promessa nos foi feita nesta semana e todos nós, crédulos e convenhamos que, sem muito mais o que fazermos, a esta altura dos acontecimentos ficamos a pensar no que aconteceria se o cumprimento da Emenda 106 já estivesse sendo cobrado com mais firmeza lá em Brasília.

Será que a Câmara Federal teria aprovado na madrugada do dia 18 a Medida Provisória que permite a privatização da Eletrobras? E dá para acreditar que o direito do multiuso das águas agora, se a privatização passar incólume pelo Senado será respeitado pelos novos investidores? O capital se curvará mesmo à nossa Emenda Constitucional? Se não, esperamos que na próxima reunião do GT o governo de Minas nos esclareça a esse respeito e nos indique qual o caminho a percorrer, já que, sem água…

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