O Diário Oficial de Minas Gerais publicou, na edição deste sábado (6), a exoneração do delegado regional da Polícia Civil de Divinópolis, Leonardo Pio, e do delegado-geral da superintendência de informações e inteligência policial, Ivan Lopes.

De acordo com o portal G1, ambos afirmaram que as exonerações ocorreram por livre iniciativa, diante da Operação “One Way”, deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais. Um policial civil foi preso na ação, que também investiga empresários e fábricas de placas.

Diante dos fatos, a chefia da Polícia Civil de Minas Gerais enviou um comunicado informando que está consternada com o envolvimento de policiais que se encontravam em exercício de cargos de chefia.

Operação ‘One Way’

O objetivo da Operação “One Way” é identificar a prática de fraudes no credenciamento de fábricas e estampadoras de placas veiculares, além dos crimes de cartel, associação criminosa, prevaricação, lavagem de dinheiro, dentre outras práticas criminosas, em vários municípios da região Centro-Oeste do Estado.

Segundo o Ministério Público, a investigação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Regional Divinópolis, da Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial de Divinópolis e da Corregedoria da Polícia Civil vem sendo realizada há sete meses.

Mandados de prisão busca e apreensão

Durante a operação foram cumpridos um mandado de prisão, 29 mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio de valores, sequestro de bens e suspensão das atividades das empresas investigadas.

Os mandados foram cumpridos em Divinópolis, Belo Horizonte, Itaúna, Formiga, Pará de Minas, Bom Despacho, Lagoa da Prata, Santo Antônio do Monte, Itapecerica, Itatiaiuçu e Itaguara.

Alvos da operação

O MPMG informou que são alvos policiais civis, fábricas de placas veiculares, empresários e “laranjas”, que emprestavam os nomes para figurar nos quadros societários da empresa de forma a escamotear os reais proprietários dos empreendimentos.

A Operação One Way contou com a participação de seis promotores de Justiça, cinco servidores do MP e 70 policiais civis.

Posicionamento dos delegados

Ivan Lopes

Ivan Lopes está na Polícia Civil há 22 anos e desde 2019 estava no cargo de delegado-geral da superintendência de informações e inteligência policial. O delegado emitiu nota sobre o fato. 

“Eu pedi exoneração do cargo comissionado ontem. Achei melhor par dar total transparência à investigação. Ninguém está acima da lei. Todos nós, especialmente servidores públicos, estamos sujeitos a investigações em face de denúncias caluniosas. Tenho a consciência tranquila de que nada pratiquei de ilegal ou imoral. Não participei de processo de credenciamento de empresas. Não é minha função. Acredito na isenção da investigação. Acredito que a verdade virá. A Justiça vai demonstrar que sou inocente”, disse.

Leonardo Pio

O delegado Leonardo Pio assumiu o posto de delegado regional em 2016. Ele tem 11 anos de carreira e já atuou em várias repartições da Polícia Civil em Divinópolis, como a Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio, Estelionato, Homicídios e atuou no trabalho dos processos administrativos. Antes de assumir o cargo ele respondia pela delegacia de Trânsito.

O delegado contou que pediu exoneração até que tudo se esclareça. “Estou tranquilo”, disse ele.

Polícia Civil

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais ressaltou que, por meio da Corregedoria Geral da Instituição, participa das investigações com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que culminaram, nessa sexta-feira (5), na Operação “One Way” e está adotando todas as medidas administrativas pertinentes.

O único policial preso, um investigador, será encaminhado à casa de Custódia da PCMG, após concluídos os procedimentos quanto ao cumprimento do mandado de prisão temporária.

A Polícia Civil reforçou que não admite desvios de conduta e a chefia da polícia destacou que sempre garantiu e assegura a total independência nos trabalhos correcionais.

Diante da ação desenvolvida, a chefia da polícia também ressalta que já procedeu ao afastamento dos alvos da operação das atuais funções. Registrou, ainda, estar consternada com o envolvimento de policiais que se encontravam em exercício de cargos de chefia.

Fonte: G1

Comentários
COMPATILHAR: