Em 16 de agosto, começaram as campanhas eleitorais, foram proibidas as doações de empresas, o tempo campanha foi reduzido de 90 para 45 dias e também o tempo gratuito na televisão e rádio. Com tantas restrições impostas, o “marketing” dos Clinton poderia ensinar algo aos marqueteiros brasileiros?

Muita gente pensaria que não, basta ver que no Brasil, antes da data inicial, um candidato que colocasse seu nome no vidro do carro para avisar os amigos, poderia ser processado por campanha antecipada… Parece inacreditável, mas é verdade. Nos Estados Unidos, a campanha a presidente deve durar mais de 18 meses, tudo perfeitamente legal. Alguns canais de televisão até transmitiram ao vivo as convenções dos partidos, verdadeiros shows musicais, com filmes de diretores famosos e discursos tão empolgantes como os daqueles cursos de “como vencer na vida”.

E foi exatamente a convenção dos Democratas que inverteu a tendência do eleitorado norte-americano, favorável a Trump em alguns pontos percentuais, para um favoritismo incrível cuja diferença já atinge os dois dígitos nas pesquisas por estado. Se isso foi feito em três dias, imagine com um mês de TV.

A primeira lição que os marqueteiros brasileiros deveriam aprender é a linguagem usada pelos candidatos. Leem pelo telepompter discursos ecléticos descolados da realidade do candidato, soa falso! Quem teve a oportunidade de ver os discursos de Bill Clinton e outros observou que havia um teleprompter escondido no púlpito, mas nenhum orador olhava. Será que decoraram?

Certamente que não, parecia que estavam em uma roda de amigos conversando ou contando uma história. Provavelmente, o publicitário entrevistou cada um, então extraiu cada frase e organizou-as em uma sequência lógica e empolgante. O orador somente teve que decorar a sequência daquilo que já disse e com suas próprias palavras.

E o mais genial, os motes da campanha saíram das falas dos oradores. Bill contou como conheceu Hilary e sua busca incessante para melhorar a vida de pessoas, donde se cravou que ela é uma “change maker”. Certamente, cada candidato tem uma história de vida em que se possa extrair qualidades “inatas”, mas é claro, vai dar trabalho e marqueteiro está acostumado a seguir manuais “vencedores”.

O próprio discurso da Hilary foi convergente com suas propostas, com explicações que desmontavam a argumentação contrária, como a defesa do direito à posse de armas somente por cidadãos honestos.

Outro ponto incrível foi a desconstrução do próprio Trump e de suas propostas. A melhor tirada foi usar o mote “America first” e fazer contraponto com os investimentos do bilionário pelo mundo e perguntar “América em primeiro lugar, onde?”

Há ainda muitas outras lições que se pode extrair da convenção dos Democratas, mas não se pode deixar de alertar os candidatos sobre a possibilidade de se utilizar caixa 2, que já foi considerado crime grave pelos juízes do Supremo Tribunal Federal e a legalização de dinheiro através de simulação de doação por filiados e simpatizantes. Ainda mais que pode ser camuflado o dinheiro gasto em gráfica e com militantes. A melhor fiscalização é a do próprio candidato!

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