A Amazônia Legal sofreu em agosto deste ano um desmatamento de 756 km2, área equivalente a metade da cidade de São Paulo. O número representa uma alta de 134% em relação ao registrado em julho (323 km2). Os dados são do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com base em dados de satélite do sistema Deter, de detecção do desmatamento em tempo real.
O Estado com maior área desmatada registrada foi o Pará (435 km2), seguido pelo Mato Grosso (229 km2). Entretanto, esses locais tiveram boa visualização pelos satélites, já que ficaram pouco encobertos por nuvens. Mato Grosso ficou livre das nuvens em agosto, enquanto o Pará teve 24% de sua área encoberta. Enquanto isso, 99% do Amapá e 77% de Roraima ficaram cobertos por nuvens, por exemplo.
Os números revelam uma alta ainda maior se comparados com o mesmo mês do ano passado –228%–, quando o desmatamento registrado pelo Deter havia sido de 230 km2. A cobertura de nuvens, que impede a medição do satélite, foi praticamente a mesma.
No acumulado deste ano, a Amazônia Legal sofreu desmatamento de 5.681 km2, praticamente quatro vezes a área da cidade de São Paulo.
O campeão em degradação da Amazônia no ano até agora é o Estado de Mato Grosso, com 3.030 km2, seguido pelo Pará (1.552 km2). A Amazônia Legal inclui os estados do Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do Maranhão.
O Deter foi desenvolvido como um sistema de alerta para dar suporte ao controle do desmatamento. O sistema, que está em operação desde 2004, mapeia tanto áreas de corte raso quanto áreas em processo de desmatamento por degradação florestal.
É possível detectar apenas polígonos de desmatamento com área maior que 25 hectares, por conta da resolução dos sensores espaciais. De acordo com o Inpe, devido à existência de nuvens, nem todas as áreas desmatadas são identificadas.

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