O futuro da paralisação dos professores de universidades federais de Minas e do país deve se desenhar a partir de hoje, quando, às 21h, o governo federal irá se reunir com o Comando Nacional de Greve (CNG) para discutir as propostas apresentadas pelos docentes. Parados há 75 dias, os professores buscam uma reestruturação para a carreira, com a definição do vencimento básico para os profissionais.
Como explica a presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Marinalva Oliveira, a principal proposta pede a criação de uma carreira única de professor federal, tanto para universidades quanto para institutos, além da extinção das chamadas classes – que dividem os docentes em auxiliares, assistentes, adjuntos, associados e titulares.
Também queremos uma forma mais equânime de progressão. Hoje, o governo propõe uma maior gratificação para quem está no alto da carreira, como os titulares, uma minoria, afirmou.
Sem reajustes nos salários desde 2010, funcionários de 57 das 59 universidades federais aderiram à paralisação. No Estado, se uniram à greve professores de Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e outras 13 universidades e institutos.
Apesar de o governo federal ter aumentado de 12% para 25% o reajuste mínimo oferecido inicialmente aos docentes e mantido o aumento máximo em 40%, universidades mineiras seguem rejeitando a proposta. Em assembleias na tarde de anteontem, Cefet-MG e Ufop não aceitaram as medidas apresentadas. Na última sexta-feira, a UFMG já tinha tomado a mesma decisão.
Os 40% de reajuste são apenas para professores no nível superior da carreira, que são entre 5% e 7% do total, explicou a professora Dirlene Marques, integrante do comando de greve do Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte e Montes Claros (APUBH).
De acordo com o Andes, 48 de 57 instituições de ensino em greve rejeitaram a proposta, votando pela continuidade da greve.
Análise. Para a socióloga Elizabeth Balbachevsky, que estuda a profissão acadêmica no Brasil desde a década de 80, não há como negar os impactos da paralisação no ensino. O processo pedagógico segue uma linha crescente. Quando você o interrompe, o aluno sempre perde, afirmou.
De acordo com ela, mudar as bases da carreira dos professores – item não contemplado na proposta do governo federal – significa dar mecanismos para as universidades fortalecerem seus profissionais. Nas federais, uma mudança seria permitir que cada universidade crie uma carreira compatível com seu perfil, disse.

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