O Ministério da Saúde demite o diretor de logística da pasta, Roberto Ferreira Dias, em meio às denúncias de corrupção envolvendo a compra de vacinas contra a Covid-19. A pasta não cita os motivos da exoneração, mas diz que a decisão foi tomada na manhã dessa terça-feira (29), embora o texto tenha sido divulgado somente após reportagem do jornal Folha de São Paulo, no fim da noite de ontem. 

À publicação, o representante da empresa Davati no Brasil, Luiz Paulo Dominguetti, diz que Roberto Ferreira Dias teria pedido propina de um dólar por dose em negociação para a compra da vacina Oxford/AstraZeneca. 

O diretor de Logística do Ministério da Saúde já havia sido citado pelo deputado federal Luís Miranda como parte de um suposto esquema de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin.

DLOG

O Departamento de Logística (DLOG) do Ministério da Saúde, onde surgiram as suspeitas de corrupção envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin e também da AstraZeneca, é “loteado” por nomes ligados ao Progressistas (PP) desde quando o atual líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PR), comandava a pasta, entre 2016 e 2018. O presidente Jair Bolsonaro, que na campanha eleitoral prometeu não aceitar indicações políticas em áreas técnicas, manteve a estrutura nas mãos da sigla do Centrão, com quem se aliou em troca de apoio no Congresso.

O atual diretor, Roberto Ferreira Dias, ligado a Barros, está no posto desde 2019 e já resistiu a três mudanças de ministros. Em comum com os antecessores está o fato de responder a processos por suspeitas de desvio de verba pública.

O departamento é uma área sensível dentro do Ministério da Saúde é responsável por executar contratos bilionários. De 2019 a junho deste ano, autorizou pagamentos que somam R$ 24,8 bilhões, segundo o Portal da Transparência. Entre as atribuições do DLOG está coordenar as compras de bens e insumos estratégicos como as vacinas contra covid-19.

Fonte: Itatiaia

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