Mais de 334 mil “pontos de interesse” com potencial para proliferação do mosquito Aedes aegypti foram identificados durante o segundo ciclo de monitoramento com drones realizado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). A tecnologia faz parte da política estadual VigiDrones, criada para auxiliar no combate à dengue, zika e chikungunya.
Os pontos identificados correspondem a locais com água parada ou com potencial de acúmulo, como caixas d’água destampadas, piscinas sem tratamento, quintais com materiais acumulados e recipientes expostos à chuva.
Segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi, as informações coletadas pelos drones são compartilhadas com os municípios para direcionar as ações de combate ao mosquito transmissor das doenças.
De acordo com Prosdocimi, a tecnologia permite que as equipes municipais atuem de forma mais rápida e precisa, principalmente em imóveis fechados ou em locais de difícil acesso.
“Quando identificado um foco de água parada que tem a probabilidade de ter o Aedes aegypti, é colocado nesse sistema de informação disponibilizado para que o município possa tirar esse foco, seja de forma mecânica por parte dos agentes de combate às endemias ou por parte do drone”, afirmou.
A SES-MG informou que cerca de 497 mil hectares de áreas urbanas já foram mapeados, o equivalente a aproximadamente 696 mil campos de futebol. O trabalho abrange os 853 municípios mineiros e conta com investimento de cerca de R$ 30 milhões.
Aplicação de larvicida amplia atuação da tecnologia
Além do monitoramento aéreo, a operação utiliza um segundo modelo de drone, menor, capaz de aplicar pastilhas de larvicida em locais onde os agentes enfrentam dificuldades de acesso, como caixas d’água em telhados e piscinas abandonadas.
“A tecnologia auxilia as equipes locais porque mostra exatamente quais são as zonas de interesse. Isso otimiza o trabalho e permite uma atuação mais direcionada”, destacou Prosdocimi.
Segundo o levantamento estadual, o descarte irregular de materiais continua sendo o principal fator de risco para proliferação do mosquito. Entre os locais identificados estão lixo, sucatas, plásticos, entulhos, tonéis, barris, lajes com água acumulada, piscinas, caixas d’água e pneus.
De acordo com o Boletim Epidemiológico da SES-MG, até a última segunda-feira (25), Minas Gerais registrou 61.229 casos prováveis de dengue em 2026, considerando os casos notificados, exceto os descartados.
Desse total, 29.116 casos foram confirmados para a doença. O estado também contabiliza 33 óbitos em investigação e 23 mortes confirmadas por dengue até o momento.
Em relação à febre chikungunya, foram registrados 12.587 casos prováveis, dos quais 7.862 foram confirmados. Há ainda quatro óbitos em investigação e uma morte confirmada pela doença no estado.
Já sobre o vírus zika, Minas Gerais contabiliza 42 casos prováveis e oito casos confirmados. Não há óbitos confirmados ou em investigação relacionados à doença.
A utilização de drones pela Secretaria de Estado de Saúde faz parte das estratégias adotadas pelo Governo de Minas para reforçar o combate ao mosquito Aedes aegypti e reduzir os impactos das arboviroses no estado.
A expectativa é de que o monitoramento tecnológico continue auxiliando os municípios na identificação de focos e na adoção de medidas preventivas mais rápidas e eficientes.







