A recuperação econômica brasileira está ocorrendo em fases e a última será liderada pelo setor de serviços, fortemente afetado pelas medidas preventivas (isolamento social). Neste ano, com o incremento da vacinação, teremos a diminuição do número de infectados e a rede de saúde deixará de ser pressionada e, além disso, as medidas de isolamento deixarão de ser regra geral e a circulação social voltará ao normal, com a retomada do setor de serviços (pessoas irão a bares e restaurantes, viajarão, circularão nas cidades, etc.).

A primeira onda do coronavírus produziu um cenário econômico de comércio e indústria fechados, pessoas isoladas, trabalho remoto, perda de renda das pessoas e empresas, desvalorização dos aluguéis dos pontos comerciais, valorização do trabalho essencial (profissionais da saúde, segurança, entregadores, etc.).

Após a primeira onda, o Brasil teve uma retomada causada pela flexibilização do isolamento e do pagamento do auxílio emergencial para as pessoas. O pagamento do auxílio emergencial impulsionou o comércio de bens essenciais, com o efeito multiplicador de renda nas mãos das classes C, D e E, pois elas gastam grande parte dos valores recebidos em bens essenciais.

Uma das fases da retomada ocorre em 2021 com sinais de adaptação da atividade econômica às medidas preventivas e, com isso, a diminuição da mobilidade desacelera menos a atividade econômica, do que no início da pandemia.

Outra fase, foi termos no primeiro trimestre de 2021 a atividade econômica retomando os níveis de antes da pandemia (quarto trimestre de 2019), mas esse crescimento foi desigual.

Houve aumento da arrecadação de impostos causados pelo crescimento de alguns setores acima dos níveis anteriores da pandemia, como o do agronegócio, mineração, serviços financeiros, construção civil, indústria de transformação, caracterizados por ter grandes e poucos agentes econômicos.

Não houve crescimento dos pequenos e médios negócios (rurais e urbanos) e do setor de serviços (turismo, bares, restaurantes, escolas, transporte, salões de beleza, etc.), responsáveis pela geração de grande número de empregos e por gerar renda para a maioria do povo brasileiro.

Antes da pandemia, tínhamos tendência de deflação (queda de preços), mas hoje temos reajuste de preços acima da inflação, com o agravante da atual crise hídrica e energética. Teme-se essa inflação dificultar a retomada econômica.

A desigualdade do crescimento e a inflação expõem mais os setores sociais frágeis, muitos dependentes do auxílio financeiro público. A retomada sustentável passa por políticas dignas para torná-los menos dependentes do auxílio público.

Apesar de tudo, a próxima fase do crescimento, ocorrerá após o avanço dos índices de vacinação, quando a mobilidade social voltará ao normal e a normalização dos serviços será o novo impulsionador do crescimento.

Euler Antônio Vespúcio – advogado tributarista

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