A economia brasileira voltou a crescer em agosto, com expansão de 0,5% em relação a julho, após dois meses consecutivos de queda. Com o resultado, o crescimento acumulado em 12 meses chegou a 1,8%. Os dados são do Monitor do Produto Interno Bruto (PIB), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), e divulgado nesta segunda-feira (19).
O levantamento acompanha o desempenho da economia nacional por meio de estimativas que abrangem indústria, comércio, serviços e agropecuária. Considerado uma prévia do resultado oficial do PIB, o indicador funciona como um termômetro da atividade econômica do país.
A evolução mensal da atividade econômica mostra oscilações ao longo de 2026. Em janeiro, o avanço foi de 0,6%, seguido por altas de 0,5% em fevereiro, 0,1% em março, 0,3% em abril e 0,6% em maio. Em junho, houve retração de 0,9%, seguida de nova queda de 0,3% em julho. Em agosto, o indicador voltou ao campo positivo, com crescimento de 0,5%.
Na comparação com agosto do ano anterior, a economia registrou expansão de 1,5%. Já o trimestre encerrado no mês apresentou alta de 1,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo a FGV, o desempenho positivo de agosto foi impulsionado principalmente pela indústria extrativa e pela continuidade da expansão do setor de serviços.
O economista Claudio Considera, pesquisador associado do Ibre, explicou que, pela ótica da oferta, esses segmentos contribuíram para o crescimento. Pelo lado da demanda, as exportações e o consumo do governo tiveram influência positiva, apesar da desaceleração do consumo das famílias.
Considera também destacou a capacidade de recuperação da economia brasileira mesmo diante de um cenário de inflação persistente e de política monetária contracionista, caracterizada pela manutenção de juros elevados.
No trimestre encerrado em agosto, o consumo das famílias apresentou crescimento de 0,4%, impulsionado principalmente pela contribuição positiva dos bens duráveis.
Em valores correntes, a estimativa da FGV para o PIB acumulado até agosto é de R$ 9,020 trilhões.
Outros indicadores também sinalizam avanço da atividade econômica. Divulgado na sexta-feira (16), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apontou crescimento de 0,3% entre julho e agosto e expansão de 1,6% no acumulado de 12 meses.
As projeções para o fechamento do ano variam conforme o levantamento. O relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central com base nas expectativas de instituições do mercado financeiro, estima crescimento de 1,83% para o PIB em 2026.
Já o Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, publicado em setembro, prevê expansão de 2%. Na semana anterior, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou crescimento de 2,2% para a economia brasileira neste ano.
O FMI também estima que o Brasil voltará a ocupar a posição de oitava maior economia do mundo em 2027. A instituição é um organismo multilateral vinculado ao sistema das Nações Unidas.
O resultado oficial do Produto Interno Bruto é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A próxima publicação, referente ao terceiro trimestre de 2026, está prevista para 2 de dezembro.
Na divulgação anterior, realizada no início de setembro, o instituto informou que a economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre e acumulou expansão de 1,9% em 12 meses.
O avanço registrado em agosto interrompeu dois meses de retração e reforçou os sinais de recuperação da atividade econômica. A contribuição da indústria extrativa, dos serviços, das exportações e dos gastos do governo ajudou a sustentar o resultado, enquanto a desaceleração do consumo das famílias e a persistência da inflação permanecem entre os fatores que influenciam as perspectivas para o país.
As próximas divulgações de indicadores e o resultado oficial do PIB permitirão avaliar a continuidade desse movimento e o ritmo de crescimento da economia brasileira ao longo de 2026.
Com informações da Agência Brasil






