Entre os dias 10 e 22 de dezembro, 74 amostras prováveis da variante ômicron foram identificadas em Belo Horizonte pelo laboratório Hermes Pardini, em parceria com o Laboratório de Biologia Integrativa da UFMG. A informação foi divulgada na tarde desta terça-feira (28).

Até o momento, o levantamento oficial da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) indicava 11 casos da nova cepa na capital mineira. O painel de monitoramento da secretaria indica 32 casos em quatro municípios. 

De acordo com o Pardini, na quinzena indicada, foram encontradas 140 amostras prováveis da variante ômicron no Brasil, sendo 95 delas em Minas Gerais – ou seja, 67,8% do total. A SES-MG já foi comunicada, segundo o laboratório. As amostras já foram encaminhadas para sequenciamento genético e os resultados devem sair em duas semanas.

Coordenador do Laboratório de Biologia Integrativa, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, Renan Pedra explica que o Hermes Pardini consegue fazer um bom monitoramento da variante porque praticamente todas as amostras que chegam ao laboratório são testadas preliminarmente para a nova cepa. A empresa detém boa parte do mercado mineiro (o que explicaria o grande volume de detecções no Estado), mas também realiza exames de pacientes de todo o país.

“O que nos impressionou foi a quantidade de amostras da ômicron em Belo Horizonte em um curto espaço de tempo. O que nos leva a crer que a variante já tem transmissão comunitária na cidade, porque é muito pouco provável que haja tantos casos de importação”, afirma Pedra.

O pesquisador diz ainda que essa situação já era esperada, a partir da observação da situação epidêmica de outros países, como Inglaterra e Alemanha. “A gente espera que, num futuro próximo, ela domine e já seja a mais comum, substituindo a delta”.

Como Minas Gerais tem um bom índice de vacinação – 85% com esquema vacinal completo –, Pedra acredita que a ômicron deve provocar um aumento no número de casos de Covid, mas não necessariamente um crescimento nos casos graves e óbitos.

E a melhor forma de prevenção à nova variante é a dose de reforço para quem completou o esquema vacinal há quatro meses. “No hemisfério norte, muitos países estavam com a cobertura vacinal alta, mas com a maioria imunizada com Astrazeneca, num intervalo de três meses, iniciado em janeiro. E essas pessoas foram perdendo a força da imunidade. Então a dose de reforço se mostrou importante para a imunidade contra a Covid”, explica Pedra.

Em entrevista ao jornal O Tempo nesta segunda-feira (27), o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, afirmou que já espera uma rápida disseminação da ômicron por Minas, já que a variante é bastante transmissível.

“Nesse momento, não há dúvida de que a variante se espalha por todas as regiões do Estado. No mundo inteiro é assim, quando se percebe uma nova cepa e começa a monitorar, o vírus já está um passo à frente. Mas o importante é que a vacina é a medida mais eficaz para resolver isso”, disse o secretário.

Para ele, Minas não deve sofrer uma nova pressão no sistema de saúde por causa da ômicron. “Com a nova variante, devemos ter mais casos de Covid, mas a alta não deve ser acompanhada de internações e óbitos. Muitos países com vacinação parecida com a nossa tiveram aumento de casos, mas não graves. E o Brasil tem uma vantagem. A gente vacinou a segunda dose no segundo semestre e terminamos o ano com boa parte da população já com a dose de reforço. A gente enfrenta a ômicron com imunidade mais recente e mais forte com sobre a variante. Por isso, acredito que não sofreremos uma grande pressão sobre o sistema de saúde”.

A Secretaria Municipal de Saúde de BH informou que, até o momento, são 11 casos confirmados da variante no município. “A Prefeitura reforça a importância de a população seguir com a medidas preventivas, com o uso correto e contínuo de máscaras faciais, distanciamento social, etiqueta respiratória, higienização das mãos, além da vacinação completa”, disse a pasta.

A Secretaria Municipal de Saúde afirmou ainda que “monitora diariamente os números epidemiológicos e assistenciais da doença no município e qualquer agravamento que comprometa a capacidade de atendimento serão tratados da forma devida, com o objetivo de preservar vidas”.

É bom ficar alerta

As vacinas são eficazes para evitar o agravamento da Covid, mas vale a pena continuar a ter cuidados, segundo Renan Pedra. Para o pesquisador, é compreensível que as pessoas queiram viajar e festejar no Réveillon, mas o sistema de saúde pode ser pressionado de alguma maneira se um grande número de contaminados procurarem por assistência ao mesmo tempo.

Especialmente, se a procura por pronto-atendimentos continuar alta por quem foi contaminado pela Influenza. “A gente tem sempre que lembrar que o sistema tem uma certa capacidade de assistência, ela não é infinita. Mesmo que os casos sejam leves por causa da vacinação, se junta com as pessoas que pegaram H3N2, que traz sintomas desconfortantes, pode ser que o sistema não dê conta de lidar com um fluxo tão grande ao mesmo tempo”.

Vale lembrar que os cuidados para evitar a ômicron são os mesmos para qualquer outra variante do coronavírus: distanciamento social, uso de máscara e higiene das mãos. 

Fonte: O Tempo

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