Milhões de alunos em todo o país vão se debruçar no fim de semana sobre uma prova difícil e cansativa, que exige mais que conteúdo. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) chega à 16ª edição, a quinta após a reformulação ocorrida em 2009, e ainda causa tensão aos candidatos. Principal forma de entrada nas maiores universidades públicas brasileiras e nas 11 mineiras, o Enem tem questões analíticas, com muitos gráficos, textos grandes, tudo para ser resolvido em quatro horas e meia no primeiro dia e cinco horas e meia no segundo. Não é à toa que os alunos insistem em dizer que é um teste de resistência. Mas especialistas garantem: surpresas somente quanto ao tema da redação.

Criado em 1998 para avaliar a qualidade do ensino médio, o Enem acabou sendo usado por instituições de ensino superior como vestibular. Em 2009, seguindo um modelo internacional, principalmente França, Estados Unidos e China, foi reformulado para substituir os vestibulares tradicionais. De 60 questões e um dia de prova, passou para 180 itens e dois dias. Diante da nova matriz de competências, o exame analisa a capacidade do estudante de dominar a norma culta da língua portuguesa, compreender fenômenos naturais, enfrentar situações-problema, fazer argumentação consistente e elaborar propostas.

O diretor pedagógico da Educação, Inovação e Tecnologia (EIT) Consultoria, Jorge Luiz Cascardo, diz que o antigo Enem preocupava-se em avaliar o ensino médio e era voltado para resolver problemas, compreensão, hipótese de leitura e a partir daí resolver o item. Depois, teve de ser modificado, o que, pare ele, se molda cada vez mais aos vestibulares das grandes universidades, cobrando mais conteúdo. ?É uma prova grande para um tempo curto. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tinha uma prova parecida na primeira etapa, com mesmo raciocínio com poucas questões decoreba?, afirmou.

Decoreba
Para entender de perto como funciona, o que é cobrado e fazer uma avaliação posterior, o coordenador pedagógico do Sistema Elite de Ensino unidade Vale do Aço, André Ricardo de Castro, se inscreve todos os anos no processo. Mesmo sem a responsabilidade de ser aprovado, ele passa por todas as etapas com seus alunos. No sábado, ele estará lá às 13h, sentado na cadeira diante dos cadernos de prova. Por todas as edições que fez, conclui que o Enem cobra raciocínio e interpretação.

Além disso, muito conteúdo e até decoreba. ?Brinco com os alunos que para aprender a ler tivemos que decorar as letras. A memorização de um ou outro conceito é necessária, não existe aprendizagem sem isso?, disse. E esclarece que o que torna o Enem mais interessante é que ele exige que o aluno tenha memorizadoo conteúdo e o coloque no contexto de uma questão que envolve raciocínio.

Quem está no alvo se sente inseguro. Mesmo com tanto estudo e dedicação, é uma surpresa, ainda mais se considerar a redação. Maria Rossi Horta de Almeida, de 17 anos, é aluna do Colégio Santo Antônio e busca uma vaga no curso de medicina veterinária da UFMG ou da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Está insegura, tentando conter a ansiedade, mas confiante na preparação que fez. ?Meu medo maior é da redação. A gente não sabe o que vem, mesmo treinando muito?, disse. No ano passado, fez a prova como treineira e achou cansativa. ?Exige preparo físico para ficar ali sentado por tanto tempo. É uma avaliação grande, com textos longos.?

Gabarito falso

Um gabarito circulou no Twitter na noite de terça-feira como sendo da prova do Enem. Ontem, o Ministério da Educação (MEC) divulgou nota afirmando que o arquivo é falso. O perfil na rede social que divulgou atribuiu as respostas ao caderno rosa do sábado. Em nota, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) classificou a lista como ?improcedente e falsa?. O responsável, segundo o Inep, já foi identificado e a Polícia Federal acionada.

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