O consumidor residencial que vai pagar, a partir dessa segunda-feira (8), 4,99% a mais pela energia fornecida pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) reclama da qualidade dos serviços de energia. Uma simples chuva já é motivo de preocupação e pode até mesmo resultar em perda de vendas para empresas e prejuízo com eletrodomésticos e eletroeletrônicos queimados.
No ano passado, conforme os Indicadores de Desempenho Global de Continuidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Cemig Distribuidora deixou de fornecer energia por 14,73 horas, segundo o indicador DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora).
A empresa mineira ficou com a 20ª posição no ranking de melhor qualidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o que, segundo o especialista no setor de energia e sócio da Enecel Raimundo de Paula Batista Neto, confirma a realidade vivida pelos consumidores da empresa. ?É notório. A Cemig precisa agir?.
?A distribuidora precisa investir na reforma e na melhoria do seu sistema, que já dá sinais de fadiga, diz.
Ele afirma que, se medidas não forem tomadas, a tendência é de aumento no número de blecautes. O especialista argumenta que algumas ações são simples, como a poda de árvores, em especial na capital mineira.
A empresa também precisa investir na qualidade do restabelecimento da energia. Ficar 12 horas sem energia é um verdadeiro desastre, salienta. Ele defende que o prazo máximo para que o serviço seja restabelecido deve ser de duas horas.
Para o diretor de finanças e relações com investidores da Cemig, Luiz Fernando Rolla, a classificação da agência não significa que a empresa não preze pela qualidade. A qualidade é importante para nós. A Cemig busca atender os padrões estabelecidos pela Aneel. As empresas que têm área de concessão próxima à da Cemig têm quase o dobro de interrupções, ressaltou durante coletiva de apresentação dos resultados da companhia, na semana passada.
Ele destacou o segundo lugar no Índice Aneel de Satisfação do Consumidor da região Sudeste. A empresa que ocupou o primeiro lugar tem uma área de atuação menor e um número inferior de clientes, disse.

Na pele
Entretanto, clientes da Cemig afirmam que o serviço poderia ser melhor. Uma delas é a proprietária da loja Closet 15, no bairro Santo Antônio, região Centro-Sul da capital mineira, Maria Carolina Bagno. Ela conta que já perdeu vendas pela falta de energia. Já fechei mais cedo e fiquei sem sinal para a máquina de cartão de crédito, observa.

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