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Enfim, Outono

Foto: UN

Lendo um jornal de classificados, outro dia, porque precisava pesquisar algumas coisas, surpreendi-me com o que achei nele: um poema de Quintana. Não é normal encontrarmos poesia em nenhum jornal, quanto mais em classificados. E, mais importante, o poema é de Quintana.

E encontrar um poema já é bom. Encontrar um poema de Quintana, então… Trata-se de Canção de Outono: “O outono toca realejo / No pátio da minha vida. / Velha canção, sempre a mesma, / Sob a vidraça descida… // Tristeza? Encanto? Desejo? / Como é possível sabê-lo? / Um gozo incerto e dorido / De carícia a contrapelo…”

Ah, Quintana, meu querido Quintana… Só você para definir o outono, ainda que eu sinta uma certa melancolia nesses versos. Mas outono é isso mesmo: é transição, é a estação da indefinição ou da espera da definição que se dará logo adiante. O outono é a antessala do inverno, é quando a gente vai se preparando para o frio que vai chegar.

O outono tem dias cinzentos, outros nem tanto. E este ano, novamente, o verão adentrou a nova estação, e só tivemos o gostinho do outono semanas depois de ele ter começado. Muito quente.

No final da estação, algumas folhas começam a cair, mas também é quando as flores do jacatirão começam a desabrochar, abrindo-se brancas e tomando cor à medida que vão se abrindo.

Luiz Carlos Amorim