O estresse, a preocupação com os filhos e a falta de intimidade com o parceiro são responsáveis pela falta de desejo sexual entre as mulheres. Um levantamento feito a partir do histórico de pacientes do ambulatório de ginecologia do Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo, aponta que 70% das mulheres procuraram o departamento para solucionar a falta de libido.
Os dados mostram que 90% dos casos são de origem psicológica. Segundo a coordenadora do ambulatório de sexualidade do HC, Elsa Gay, os problemas sexuais da mulher refletem conflitos de relacionamento e estresse no trabalho. A perda do lado lúdico do sexo provoca essa falta de libido, afirma. Ela explica que o toque e o beijo são elementos importantes para uma vida sexual saudável.
A mulher fica muito cansada. Ela exerce muitos papéis durante o dia e o sexo exige disposição, explica a coordenadora do projeto Afrodite, Carolina Ambrogini. No projeto, do ambulatório de sexualidade feminina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a falta de desejo sexual também é a principal reclamação. Cerca de 65% das pacientes procuram o ambulatório por esse motivo. Outras queixas frequentes são a dificuldade de atingir o orgasmo e dor durante a relação sexual.
A falta de libido é mais comum em mulheres idosas, mas são as jovens que normalmente procuram ajuda. Mulheres mais velhas acham que isso é natural. Mas muitas vezes pode ser reflexo de um problema físico, alerta a sexóloga e coordenadora do programa de estudos de sexualidade da Universidade de São Paulo (USP), Carmita Abdo. Para ela, por não terem preconceitos, as mulheres mais novas têm mais facilidade em tratar do assunto.
Carmita explica ainda que, para evitar disfunções sexuais e estimular o desejo, é importante que a mulher se conheça. Ela deve estar bem informada, conhecer seu próprio corpo e não ter vergonha de dizer ao parceiro como é estimulada.
Outros fatores que provocam a disfunção sexual feminina
Hormônios Nas mulheres, o estrogênio e a progesterona, que são produzidos nos ovários, e a testosterona interferem na libido. A testosterona estimula o desejo sexual e os estrogênios mantêm a região vaginal lubrificada. Mulheres que usam anticoncepcionais com variáveis de estrogênio e progestina manifestaram mais interesse sexual.
RemédiosAlém dos contraceptivos hormonais, um grande número de remédios pode interferir no funcionamento sexual, como:
antidepressivos; antibióticos;
anti-histamínicos; remédios para o coração e hipertensão;
dietéticos; e calmantes e outros auxiliares para o sono podem reduzir o desejo.
FerimentosOutros fatores podem afetar a libido feminina, como infecções urinárias, retais ou vaginais e doenças sexualmente transmissíveis; vasos sanguíneos danificados; cansaço; doenças orgânicas como distúrbios nas glândulas; efeitos colaterais de quimioterapia; e, por fim, a histerectomia, ou retirada do útero.
Explicação
Evolução natural. Psicólogos da Universidade do Texas acreditam que a mudança na libido com a passagem do tempo de vida tem origem em mecanismos psicológicos desenvolvidos como adaptações humanas ao meio ambiente.








