A oposição ao governo venezuelano aumenta a poucos dias do referendo popular que decidirá a aprovação da reforma constitucional proposta pelo presidente Hugo Chávez. A ex-mulher de Chávez voltou a criticar a reforma e pediu à população que não aceite as mudanças.
A ex-primeira-dama Maria Isabel Rodriguez disse que tem responsabilidade por tudo que está acontecendo e pediu perdão ao povo.
Ela convocou a população a votar contra a reforma, que permitirá a Chávez se reeleger indefinidamente. Segundo ela, as mudanças propostas na reforma ameaçam até o direito à vida.

Entenda a reforma constitucional venezuelana

No dia 2 de novembro, o Parlamento da Venezuela sancionou a reforma da Constituição bolivariana de 1999. As principais mudanças propostas implicam na ampliação do poder do presidente e na implantação do socialismo bolivariano de Hugo Chávez. O texto passará por um referendo popular em 2 de dezembro.
A reforma foi aprovada por 161 votos a favor e seis abstenções e modifica 69 artigos de um total de 350. O presidente, Hugo Chávez, propôs modificações em 33 artigos, como o que amplia o mandato presidencial de seis para sete anos e o que estabelece a reeleição indefinida.
O Parlamento – controlado por deputados da base governista – incorporou mais 36 artigos ao pacote de mudanças, entre eles o que regula estados de exceção.
O partido oposicionista, o social democrata Podemos, se absteve durante todo o processo de discussão da reforma.
Com a reforma, haverá um aumento dos poderes do presidente para decidir promoções militares, gerenciar as reservas internacionais e a política monetária junto ao Banco Central, como cortar zeros da moeda bolívar.
Além disso, o presidente poderá nomear vice-presidentes para governar novas regiões e províncias – que agora poderão ser criadas por meio de decretos do Executivo – e estabelecer estatutos federais a cidades.
O Parlamento decidiu manter quatro atributos do direito ao julgamento justo – o direito à plena defesa, à integridade pessoal, a ser julgado por juizes naturais e a não ser condenado a penas de mais de 30 anos -, mas manteve a restrição ao direito à informação durante os estados de exceção, que não terão limite de tempo.
Além do estabelecimento de um poder popular na escala dos poderes nacionais, foi aprovada também a redução da idade mínima para o voto, de 18 para 16 anos, o limite de 36 horas para a jornada de trabalho semanal, a proibição do latifúndio e a criação de um sistema de assistência social para os trabalhadores informais.
Entre as novas atribuições presidenciais está criar ou suprimir províncias federais, territórios federais, cidades, distritos funcionais, municípios federais, regiões marítimas, regiões estratégicas, distritos insulares e cidades comunais, além de designar e remover suas autoridades.
Chávez poderá também remover seu vice-presidente, assim como nomear vice-presidentes para governar as novas regiões eventualmente criadas. O presidente poderá ainda promover oficiais da Força Armada Nacional Bolivariana em todos os graus e hierarquias; administrar a Fazenda Pública, as reservas internacionais, assim como o estabelecimento e regulamentação da política monetária.

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