Da redação

Apesar da forma lenta com que estão sendo feitos os repasses da verba destinada ao cumprimento do contrato de construção da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) do rio Formiga, a empreiteira continua, ainda que a passos de tartaruga, realizando os trabalhos. O constante atraso na entrega das verbas disponibilizadas pelo governo federal e a não disponibilização pelo município em tempo hábil da parcela referente à contrapartida, causaram o descumprimento do cronograma previsto no contrato.

Após a última repactuação, se previa que o término do serviço, conforme acertado com a Caixa Econômica Federal ocorreria em setembro de 2016.

Também o período chuvoso acarretou atrasos consideráveis na execução dos trabalhos, por razões técnicas mais que conhecidas, pois a área onde o empreendimento deve ser erguido, fica completamente alagada nestes meses de maior precipitação pluviométrica.

Segundo informou o engenheiro responsável pela obra, Luís Augusto Paradinha Rego, da Lamar Engenharia, com o término do período chuvoso os serviços deverão ser acelerados. “Para se ter uma ideia, o local onde deverão ser construídos os decantadores ainda se encontra cheio de água, impossibilitando o início dos serviços nesse prédio”, comentou Paradinha.

Essa semana, conforme fotos, foi iniciada a concretagem dos reatores anaeróbicos da Estação de Tratamento de Esgoto.

Importante lembrar que, ainda que por um milagre se consiga concluir a construção deste importante e indispensável equipamento público até setembro de 2016, todo o investimento estará prejudicado se não houver a conclusão dos serviços de captação dos esgotos (interceptores) nas margens dos rios Formiga, Mata Cavalo e tributários, serviços estes paralisados há mais de três anos, em razão de não cumprimento do contrato (Soenge).

 

Veja o resumo sucinto da história destas obras de saneamento, obtido através de matérias publicadas por este jornal

2006 – Com recursos obtidos junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), através de financiamento da ordem de R$2,5 milhões, iniciou-se a primeira etapa de implantação de 4,5km de interceptores na margem esquerda do rio Formiga. Para a execução de trabalhos na margem direita seriam necessários mais R$19 milhões, projeto que de início foi objeto de muita polêmica entre os poderes Executivo e Legislativo.

Setembro/2009 – Com a notícia da aprovação pela Caixa Econômica Federal, de financiamento pleiteado pela administração Aluísio Veloso, destinado ao sistema de tratamento de esgoto do rio Formiga e seus afluentes, a Câmara Municipal aprovou o projeto no valor de R$19 milhões (crédito suplementar). Importante lembrar que tal projeto já havia sido aprovado no ano anterior (2008), mas não logrou êxito no Governo Federal tendo sido interrompida sua tramitação. A aprovação contou com grande oposição dos vereadores Reginaldo Henrique dos Santos e José Gilmar Furtado (Mazinho) que chegaram a fazer uma representação junto ao Ministério Público, contra o prefeito de então, alegando que teriam sido intimidados por não concordarem com o tal projeto.

Abril/2010 – Foi entregue na cidade a primeira remessa de tubos reforçados de fibra de vidro (PRFV), com diâmetros de 600 e 800 milímetros.

Maio/2010 – Iniciaram-se os trabalhos de canalização dos esgotos conforme previstos em contrato, já que a legislação eleitoral exigia que tais serviços tivessem início no máximo até o dia 3 do mesmo mês.

Abril 2011 – Nova remessa de tubos chega à cidade.

Outubro 2011 – O então diretor do Saae, Paulo Quintiliano, em fala na tribuna da Câmara informou que as obras de interceptação a cargo da Construtora SOENGE ENGENHARIA já haviam chegado aos 50% de execução de acordo com o cronograma e que destes, cerca de 40% já haviam sido pagos à mesma.

Dezembro 2011 – Câmara aprova o projeto 455/2011, autorizando abertura de crédito especial de R$ 10.776,486,51 para a construção da ETE, sendo que o processo licitatório deveria estar concluído até 15/01/2012, sob pena de se perder a verba concedida pelo Governo Federal.

Abril 2012 –  Câmara aprova mais R$ 3 milhões para o tratamento de esgoto atendendo solicitação do diretor do Saae, Paulo Quintiliano, que explicou: “o orçamento tem que ser aprovado para cada ano, e lembro que o valor total é de R$ 10.776.486,51”.

Setembro 2013 – Prefeitura anuncia o início da construção da ETE. Gonçalo Faria, Paulo Cohen e José Terra de Oliveira, se reúnem com diretores da Lamar Engenharia no prédio da Caixa Econômica Federal, em Divinópolis, quando foi assinada a autorização para o início dos serviços.

O que foi contratado: 43.500 m² de construção compreendendo quatro módulos de reatores; quatro de aeradores; quatro decantadores secundários, oito leitos de secagem e um tratamento preliminar (chegada).  Hoje, segundo o que foi apurado, algo em torno de 55% da obra está concluída e o engenheiro responsável explica que muitos equipamentos necessários deverão a partir de agora, conforme previsto em contrato, ser adquiridos para instalação naquele complexo.

O contrato inicial previa o término da obra em 2 de março de 2015, repactuado o vencimento para setembro deste ano. Dificilmente a atual administração entregará ainda neste mandato, a obra como concluída.

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