As tradicionais mesas fartas das confraternizações de fim de ano podem representar riscos para quem sofre de gota. O consumo de alimentos gordurosos aliado à ingestão de bebidas alcoólicas intensifica os sintomas e aumenta a predisposição à doença reumatológica, que deve atingir cerca de 95,8 milhões de pessoas até 2050, segundo estudo publicado na revista The Lancet Rheumatology.
Os excessos típicos da época funcionam como gatilho para crises inflamatórias agudas. A reumatologista e professora universitária Maria Luísa Toscano explica que a gota é causada pelo acúmulo de ácido úrico no sangue, capaz de formar cristais dentro das articulações.
“As crises costumam ser desencadeadas pelo consumo de alimentos ricos em purinas, como carnes vermelhas, vísceras, frutos do mar e alguns peixes, além do uso excessivo de álcool, especialmente cerveja”, afirma. Ela acrescenta que fatores como desidratação, uso de certos medicamentos — como diuréticos — e obesidade também elevam o risco.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) aponta que homens entre 30 e 50 anos são os mais afetados. Entre mulheres, a doença é rara antes da menopausa, manifestando-se geralmente após os 60 anos. Toscano destaca que as crises costumam surgir de forma súbita, com dor intensa, vermelhidão, calor e inchaço em articulações, principalmente no dedão do pé, mas também em tornozelo, joelho, punho ou dedos. “Na maior parte das vezes, a dor aparece durante a noite ou ao acordar. Notar qualquer início de sensibilidade ou desconforto pode ajudar a procurar atendimento mais cedo”, orienta.
Hidratação e alimentação equilibrada
O estudo da The Lancet Rheumatology também relaciona a gota a outras condições: o índice de massa corporal elevado foi responsável por 34,3% dos anos vividos com incapacidade devido à doença, enquanto a disfunção renal respondeu por 11,8%.
A coordenadora de nutrição da Afya São João del-Rei, Fernanda Nascimento Hermes, reforça a importância de um plano alimentar equilibrado, com prioridade para alimentos protetores, como fontes de vitamina C, opções com baixo teor de gordura e proteínas de qualidade.
Ela destaca ainda o papel da hidratação no controle da doença, especialmente durante crises. A recomendação é consumir cerca de oito copos de 250 ml de água por dia e evitar bebidas alcoólicas. Produtos lácteos, ovos, proteínas vegetais — como feijão e ervilha — e o café também podem ter efeito protetor.
“Esses alimentos contribuem para aumentar o pH da urina, favorecendo a solubilização e a eliminação do ácido úrico pelo organismo”, explica Hermes.
Com informações do Hoje em Dia







