Já estamos vivendo a Campanha da Fraternidade 2016, que tem como Tema “Casa comum, nossa responsabilidade” e lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. O lema bíblico inspira-se em Amós 5,24: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.

O objetivo principal da CF-2016 é o saneamento básico no Brasil e sua importância para garantir desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida para todos. Esta Campanha também é ecumênica, celebrada conjuntamente com algumas igrejas cristãs. É a quarta vez que igrejas cristãs se unem a católicos para celebrar a fraternidade, sendo que a primeira ocorreu em 2000 com o tema “Dignidade Humana e Paz”. E tem como novidade a participação da entidade episcopal da Igreja Católica da Alemanha Misereor, que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina.

O saneamento básico é um direito que tem que ser assegurado para todas as pessoas, católicos ou não, e precisamos nos empenhar, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.

O saneamento nos remete às suas derivações como  o abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, a coleta e manejo de resíduos sólidos, são medidas necessárias para que todos possam ter saúde e vida dignas. Assim, a justiça ambiental é parte integrante da justiça social.

A falta de saneamento é responsável por muitas doenças. Segundo DATASUS do Ministério da Saúde, para todas as faixas etárias, em 2013, foram notificadas mais de 340 mil internações por infecções gastrointestinais no país. Se toda a população tivesse acesso à coleta de esgotos, haveria uma redução de 74,6 mil internações.

Outra informação assustadora é dada pelo SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico – base 2013) que mostra que 82% da população brasileira têm acesso à água tratada; mais de cem milhões de pessoas no país ainda não possuem coleta de esgotos e, desse esgoto, apenas 39% é tratado, o resto é despejados diariamente na natureza.

No campo, apenas 42% das moradias rurais dispõem de água canalizada para uso doméstico. Os outros 58% usam água fontes sem nenhum tratamento. E somente 5,2% dos domicílios rurais possui coleta de esgoto ligado à rede geral e 28% possuem fossa séptica. Há 52,9% de residências que buscam soluções rudimentares como valas ou despejo do esgoto diretamente nos cursos de água. Há ainda 13,6% que não usam nenhuma solução.

Isso significa que 7,6 milhões (25% da população rural do Brasil) vivem em extrema pobreza. Por isso, o saneamento rural deve ser feito juntamente com outras políticas públicas, de modo a superar o déficit de moradias, dificuldade de acesso à eletrificação rural e ao transporte coletivo.

E, depois de 13 anos de corrupção e incompetência, a solução não passa por ocupar cargos públicos como acreditou parte da Igreja da qual eu me incluía! É preciso meios apartidários e eficazes de se cobrar ações de políticos nessa prioridade nacional.

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