Nos dois meses entre a sua eleição, em 2002, e a posse como presidente, Luiz Inácio Lula da Silva tratou logo de ir atrás de conexões que considerou importantes no cenário internacional. Em meio à formação do gabinete e aos trabalhos da transição, Lula conseguiu encaixar viagens à Argentina, ao Chile, aos Estados Unidos e ao México. Aquele era só o início do protagonismo global de Lula, que mudou a cara da política externa brasileira nos últimos oito anos. Agora a realidade de sua sucessora, a presidente eleita Dilma Rousseff, está bem distante daquela de anos atrás.
Diferente de Lula, um sindicalista que se acostumou a negociar em qualquer situação, Dilma é uma gestora nata, visivelmente pragmática e reconhecidamente menos carismática. Para muitos, o diferente perfil já será suficiente para garantir sensíveis mudanças no modo como a política externa será levada pelo próximo governo ? e de como será vista lá fora.
O perfil técnico de Dilma contrasta com o estilo ?amistoso? de Lula, que abriu portas com diversos líderes e fez com que ele ganhasse popularidade internacional. Em contrapartida, as características da presidente eleita poderão evitar, em algumas ocasiões, deslizes que levaram Lula a errar a mão em temas no qual o Brasil não precisaria ter se envolvido tanto, como a questão nuclear do Irã, principalmente porque, aparentemente, Dilma não tem o mesmo gosto pessoal por temas internacionais como seu antecessor.
Diferenças de estilo à parte, Dilma Rousseff deverá optar por continuar a política externa dos oito anos de governo Lula, na maioria dos temas. O Partido dos Trabalhadores (PT) aposta que ?no conteúdo e na estratégia? não haverá novidade.

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