O governo de Romeu Zema (Novo) detalhou nessa terça os planos para ampliar a capacidade de desenvolvimento e produção de vacinas, vigilância em saúde e pesquisa da Fundação Ezequiel Dias (Funed) com o objetivo de preparar melhor o Estado para futuras pandemias.

A ideia é criar o Centro Mineiro de Controle de Doenças a partir da fusão da Funed com a Escola de Saúde Pública e o Hospital Eduardo de Menezes, referência no tratamento de doenças infectocontagiosas.

O plano é utilizar R$ 375 milhões dos recursos do acordo com a Vale para ampliar as instalações da Funed e também do Hospital Eduardo de Menezes. A visão do governo foi exposta em uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

De acordo com o secretário de Saúde de Minas, Fábio Baccheretti, o objetivo é conseguir fazer pesquisa, atendimento de saúde especializado para a população e desenvolvimento de vacinas em uma mesma estrutura pública.

“Se a gente já tivesse essa estrutura antes, teríamos dado uma resposta muito melhor (à pandemia). A gente já teria uma vacina da geração da Moderna, da Pfizer, que são gerações novas. Junto com o projeto da Vale, nós temos a oportunidade de mudar e deixar um legado para o Estado: um novo Hospital Eduardo de Menezes moderno e uma Funed moderna capaz de produzir vacinas modernas. Vão aparecer novas pandemias, e a gente estará melhor preparado”, disse.

Segundo o secretário, este não é um modelo novo e é utilizado no Instituto Butantan, na Fiocruz e no Centro de Controle de Doenças dos EUA. Em aceno à ALMG, Baccheretti sinalizou positivamente com a retirada da Escola de Saúde Pública do projeto de fusão. Segundo ele, o projeto não afetará de forma negativa os servidores públicos, com a perda de gratificações, por exemplo.

Para que a visão do governo se concretize, é necessária a aprovação de dois projetos de lei distintos: o primeiro é o que cria o Centro Mineiro de Controle de Doenças. A proposição foi enviada no início de março e está na Comissão de Constituição e Justiça. Um ofício do Sind-Saúde enviado aos deputados em abril comunica a rejeição dos trabalhadores ao projeto de lei.

O segundo projeto necessário é a aprovação do projeto de lei que autoriza o Executivo a gastar R$ 11 bilhões do acordo com a Vale. Essa aprovação é necessária para que os investimentos previstos na Funed e no Eduardo de Menezes sejam realizados. O projeto está na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, onde está correndo o prazo de 20 dias para o recebimento de emendas.

Funed melhorada
Investimentos previstos no Centro Mineiro de Controle de Doenças que serão bancados pelo acordo com a Vale

R$ 67,1 milhões para a reforma do Laboratório Central da Funed: construção de um novo prédio para abrigar o laboratório que terá mais capacidade de fazer análises e exames, como testes de Covid-19

R$ 57,1 milhões para construção da Biofábrica Wolbachia: unidade terá tecnologia para introduzir a bactéria Wolbachia em mosquistos Aedes aegypti para que eles reproduzam com outros da mesma espécie com o objetivo de criar uma nova população de mosquitos que não transmitem doenças

R$ 251 milhões para a construção de um novo prédio do Hospital Eduardo de Menezes: estrutura mais moderna e versátil para atender com o aumento da demanda. Entre outras coisas, salas de espera poderão ser transformadas em mais espaço para leitos.

O presidente da Funed, Dario Ramalho, disse que a fundação prospectou a possibilidade de produzir vacinas contra a Covid-19 junto a 11 parceiros, mas que a estrutura atual da Funed impediu o avanço das negociações. “A estrutura da Funed não comporta nenhuma vacina de RNA (Pfizer e Moderna), nem de vírus inativo (Coronavac), nem de adenovírus (Oxford/AstraZeneca). A tecnologia da nossa fábrica não comporta a produção dessas vacinas que têm registro na Anvisa”, disse.

Fonte: O Tempo

Comentários
COMPATILHAR: