De acordo com denúncia do vereador Cabo Cunha, durante reunião do Legislativo, uma jovem de 20 anos, grávida de 7 meses, foi mais uma vítima da negligência e da mais absoluta falta de responsabilidade por parte de alguns servidores da Secretaria de Saúde que deveriam, em respeito à Lei, ter-lhe dispensado tratamento bem diferenciado daquele por ela recebido. ?No mínimo, descumpriram o que está previsto na Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Houve uma série de erros e omissões inadmissíveis?, disse.
Cunha declarou que ouviu com muita indignação os relatos sobre o ocorrido e relatou: ?Ela buscou atendimento em um Posto de Saúde, no bairro Saudade e o médico percebeu que a gravidez dela era de alto risco. Ele a encaminhou a um obstetra, no Antônio Vieira. Lá, o médico pediu uma ultrassonografia e, percebeu que havia pouco líquido em sua placenta. Como sempre, não foi atendida a tempo e mesmo após 30 dias, ninguém ligou pra ela informando sobre data de realização do exame, conforme prometido e aí ela voltou ao mesmo obstetra. Decorrido mais algum tempo, conseguiram marcar a consulta?.
A jovem foi encaminhada para o Hospital Odete Valadares, em Belo Horizonte. ?Pediram uma ultrassonografia morfológica, mas aqui em Formiga este exame não é feito e ela teve que pagar pelo exame. Ela foi apanhada pelo motorista da Prefeitura, às 3h, na semana passada, juntamente com sua sogra e uma vizinha. Elas foram transportadas em um Gol e não em uma ambulância, como seria recomendado. Ele parou, apenas em Betim para ela ir ao banheiro e lá ela percebeu que estava sangrando. Ela me contou que o motorista corria muito e, por volta das 5h, ele as deixou há aproximadamente 200 metros do referido hospital. O motorista disse que não poderia deixar ela na porta do hospital, pois estava com pressa. No Odete Valadares, ela percorria os corredores suja de sangue. Um vexame. Ela foi para o bloco cirúrgico e foi realizada uma cesariana. A criança nasceu às 14h56 do dia 11 e faleceu 13 horas depois?.
De acordo com relatos de Cabo Cunha, a comadre que acompanhava a jovem ligou várias vezes para o Antônio Vieira para que fosse providenciada uma ambulância para busca-la em Belo Horizonte. ?Ela me contava o tormento naquele hospital, jorrando leite nos peitos e ouvindo um choro de bebês naquele local, com o psicológico abalado. Mesmo assim, ela foi até a portaria do hospital e esperou por horas. Funcionários da Funerária ligavam para esta mãe para trazer o bebê até Formiga, para que ele fosse sepultado. O marido desta jovem, que já estava em Belo Horizonte, foi até a um Cartório para pegar a certidão de óbito da criança. Após muitas horas de espera, o corpo do bebê foi sepultado no Cemitério Parque da Saudade, tarde da noite ela foi registrada com o nome de Nicole Cristina Bernardes?.
O vereador contou que já constituiu um advogado para esta família em busca de reparações previstas em lei. ?Um reparo dessa tristeza, desse vexame. Vai ser interposta uma ação judicial contra o Poder Executivo. Nós já temos jurisprudência do STJ arbitrando 200 salários mínimos para casos semelhantes como esse. Isso não vai reparar o dano psicológico e muito menos a perda de uma vida, mas vamos fazê-lo para cobrar desse Executivo que não respeita a vida humana?, destacou cabo Cunha.
Ouvindo o outro lado
Na secretaria de Saúde, o jornal obteve a seguinte informação: ?antes mesmo de a denúncia ter sido feita na Câmara, nós já havíamos tomado ciência do fato, em virtude da liberação do transporte para a criança falecida e da própria mãe. Tudo está sendo apurado. Havia mais uma paciente no veículo que a conduziu até BH e nós vamos ouvi-la e checar as informações sobre velocidade, passagem sem cuidado sobre quebra-molas, negativa de deixar a paciente na portaria do hospital e outros fatos relatados. A secretária de Saúde está a par de tudo e acompanha as providências e tomará todas as providências cabíveis?.

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