O Horário de Verão 2007/2008 começa à zero hora do próximo dia 14 de outubro e termina à zero hora do dia 17 de fevereiro do ano que vem, abrangendo os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.
Ao todo, serão 126 dias de duração, sendo 14 a mais que na versão passada. Os Estados do Nordeste ficam de fora, juntamente com a região Norte, porque o Ministério de Minas e Energia – MME avaliou que os benefícios seriam muito pequenos para essas regiões.
Como o maior consumo de energia elétrica do País registra-se na área de abrangência do Horário de Verão, a economia é mais representativa, além de facilitar a operacionalização da medida no setor elétrico, já que nessa área se localizam as malhas principais do Sistema Interligado Nacional, informa o engenheiro de operação do sistema Wilson Fernandes Lage, da Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig.

Objetivos
O Horário de Verão tem como objetivo principal a redução da demanda máxima do Sistema Interligado Nacional – SIN no período de ponta. Segundo Wilson Lage, isso é possível pelo fato de a parcela de carga referente à iluminação ser acionada mais tarde do que normalmente o seria, motivada pelo adiantamento do horário oficial em uma hora. O efeito provocado é o de não ocorrer a coincidência da entrada da iluminação tanto com o consumo existente ao longo do dia do comércio e da indústria, cujos montantes se reduzem após as 18 horas, quanto com a carga residencial que aumenta significativamente nesse horário, motivada, principalmente, pelo banho em chuveiro elétrico. A superposição desses consumos causa o aumento da demanda na ponta, fato inevitável no inverno, mas aproveitado pelo setor elétrico durante o verão, explica o engenheiro.
O Horário de Verão contribui de forma efetiva para o achatamento da curva de carga do sistema elétrico, reduzindo sua demanda máxima no período em que o sistema é, de modo geral, submetido a condições operacionais mais críticas. Com o Horário de Verão, obtém-se um alívio no carregamento dos sistemas de geração, transmissão e distribuição, proporcionando melhores condições de suprimento, em termos de continuidade e qualidade de atendimento às diversas áreas dos sistemas. A medida também contribui para a manutenção de um melhor nível de confiabilidade. Além disso, a redução da demanda proporciona um aumento da flexibilidade operativa e também possibilita a maximização das manutenções em equipamentos do sistema elétrico.
Durante a vigência do Horário de Verão, também são atenuados os riscos de distúrbios ocasionados por desligamentos de linhas de transmissão, devido a descargas atmosféricas, considerando a sua superposição com o período de maior incidência das mesmas, notadamente na região Sudeste. Ainda como resultado da medida, acontece a redução da necessidade de geração térmica para atendimento de ponta.

Economia no Brasil

A expectativa de economia no SIN, de acordo com a avaliação do Operador Nacional do Sistema – ONS, é de 4% a 5% de redução na demanda. Em termos de demanda máxima, ou seja, o pico diário da carga, que ocorre no período das 18 às 22 horas, a redução deverá superar o valor de 2 mil MW, o que equivale, aproximadamente, à carga de duas cidades do tamanho de Brasília mais três cidades do porte de Florianópolis.

Economia na Cemig
Na área de concessão da Cemig, espera-se uma redução na demanda máxima de 3,2%, correspondendo a cerca de 240 MW, potência que equivale à geração a plena carga de praticamente duas usinas do porte da Usina Térmica de Igarapé (131 MW) ou à de quatro geradores da Usina de Três Marias (66 MW cada). Também equivale a 30% da carga de todo o Triângulo Mineiro, com 66 municípios, a 12,6% da carga de pico dos 34 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte ou, ainda, à demanda de uma cidade de 640 mil habitantes.

Essa redução aumenta a segurança e confiabilidade operativa, reduzindo o carregamento de todo o sistema nos momentos de pico e melhorando as condições de controle, principalmente em situações de emergências, informa Wilson Lage.

No consumo, espera-se uma economia de energia de 0,5%, o que representa cerca de 32 MWméd. ou 96 mil MWh, durante todo o período do Horário de Verão. Essa economia é suficiente para abastecer duas cidades do porte de Sete Lagoas e Uberaba, que juntas têm uma população estimada de 510 mil habitantes, durante um mês.

Para o consumidor residencial, a economia se dará na menor utilização da iluminação artificial, e, com isso, ele pode obter uma redução de até 5% no consumo mensal de energia.

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