Até 2014, Belo Horizonte terá investimentos da ordem de R$ 1,026 bilhão somente do poder público nas três esferas – federal, estadual e municipal. Os recursos serão aplicados em obras de mobilidade urbana e na reforma de estádios para a Copa do Mundo. No setor privado, levando em conta apenas o segmento hoteleiro, são esperados para a capital mineira R$ 600 milhões em novos empreendimentos.
O montante será utilizado para a construção de aproximadamente 16 novos hotéis de alto luxo (de quatro e cinco estrelas). No total, o número de leitos na região metropolitana de Belo Horizonte vai aumentar de cerca de 34 mil para 36 mil.
Mas, será que, após a Copa, haverá demanda na cidade para ocupação destes empreendimentos, ou os prédios poderão se tornar verdadeiros elefantes brancos? Esses novos hotéis fazem parte não apenas do planejamento da Copa e sim da cidade, garante, taxativo, o presidente do Comitê Executivo da Copa do Mundo em Belo Horizonte, Tiago Lacerda. De acordo com ele, a capital mineira carece, e muito, de espaço e de local para as pessoas se hospedarem quando há grandes eventos. Muitas das vezes, a prefeitura recusa oferta para receber eventos justamente porque a rede hoteleira da cidade não comporta, afirma.
Lacerda explica que a própria Fifa não faz muitas exigências em relação a hospedagem e, sim, aos estádios e ao acesso a eles. Mas a entidade máxima do futebol recomenda que cada sede tenha, em média, número de leitos correspondente a 40% da capacidade total do estádio. No caso do Mineirão, com capacidade para 70 mil pessoas, o cálculo é de 28 mil leitos, observa ele, salientando que a capital mineira já supera o número sugerido. O problema é que faltam hotéis de alto nível na cidade. Há carência quando observamos o item qualidade, lamenta. Dos novos empreendimentos, pelo menos cinco hotéis são cinco estrelas.
Segundo o executivo, em relação à hospedagem de alto luxo para atender à Fifa, seriam necessários mais quatro hotéis. Um para os profissionais; outro para os convidados vip?s, como chefes de estados e parceiros, como patrocinadores; e outros dois para acomodar as seleções que jogarão na cidade, detalha o presidente do Comitê da Copa em BH, reiterando que a empresa Match, responsável pela comercialização de ingressos e hospedagem da Fifa, já está em contato com representantes de hotéis de BH que ainda sequer começaram a ser construídos, para já reservarem os quartos.
Para Lacerda, como esses hotéis fazem parte de grandes bandeiras privadas com larga experiência no mercado, as redes fizeram estudos para verificar se Belo Horizonte tem potencial para o setor. Hoje, os hotéis são acompanhados de salas de reuniões e conferências para receber eventos. E muitas destas redes hoteleiras possuem o know-how para buscar e viabilizar eventos nas cidades, conta.
O presidente do Comitê da Copa reforça que trata-se de um mercado como qualquer outro, com concorrência, e que a competência pode determinar quem vai continuar ou liderar o mercado após a Copa.O que posso garantir é que os executivos não têm hotel para ficar na cidade, garante Lacerda.

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