Com a perda do poder aquisitivo, seja em razão do desemprego ou da inflação alta, a inadimplência nas instituições de ensino particular é a maior dos últimos 30 anos, segundo o presidente Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Emiro Barbini. A média do ano está na casa dos 12%, quase três vezes maior do que a verificada em 2014. “Há casos de instituições em que a inadimplência chega a 35% neste ano”, diz. No ano passado o percentual médio foi de 4,5%.

Barbini afirma que a falta de pagamento está num patamar recorde. “É o pior cenário dos últimos 30 anos”, reclama. De acordo com ele, os maiores percentuais são encontrados em instituições com mensalidades mais acessíveis, que variam de R$ 350 a R$ 650.

O aumento da inadimplência também foi verificada pelo estudo da Serasa Experian, que mostra alta de 22,4% no primeiro semestre de 2015 ante igual período do ano anterior entre os estudantes de ensino superior no Brasil. Com isso, o setor reverteu uma tendência de queda do ano passado: em 2014, a inadimplência havia alcançado ligeira redução, de 0,9% no primeiro semestre na comparação com o mesmo período do ano anterior no Brasil.

O presidente do Sinep-MG explica que, apesar do acúmulo de pagamentos em dezembro, quando são cobradas a mensalidade e a matrícula, a inadimplência não é alta. “É que para fazer a matrícula é preciso quitar as mensalidades em atraso”.

O último mês do ano não é muito fácil para quem tem que pagar as mensalidades. Logo, a ordem, segundo o consultor do site de educação financeira do Mercantil do Brasil, Carlos Eduardo Costa, é se programar durante o ano. “Para quem não fez isto. A saída agora é usar o 13º salário”, aconselha Costa. É o que fez a assistente administrativa Fernanda Lamounier, que tem um filho no maternal. “Também vou aproveitar a segunda parcela para comprar o material escolar”, conta.

Evasão

Com as dificuldades da economia, o presidente do Sinep-MG estima que a evasão para 2016 chegue a 6%, o que seriam quase 83 mil alunos no Estado. Atualmente, cerca de 1,3 milhão pessoas estudam em instituições de ensino privadas em Minas Gerais. “Algumas pessoas que nos últimos anos conseguiram ter acesso ao ensino particular, agora, terão que voltar a frequentar o ensino público”, afirma.

O dirigente observa que, além da migração para o ensino público, haverá também a troca de escolas. “Muitas pessoas que antes prezavam mais a qualidade, irão focar mais no bolso e devem procurar opções mais baratas”, analisa. E, para manter as contas, ele diz que estão previstos cortes no número de professores em 2016. O quadro deve ser reduzido em 10%, o que representa cerca de 8.000 professores a menos no ano que vem.

Para a vice-presidente do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas), Valéria Morato, não há motivo para cortes. “A família brasileira prioriza a escola do filho. O motivo para demissões não é a evasão de alunos, mas sim o lucro”, observa.

O Tempo Online

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