O infarto não escolhe sexo, raça ou idade, porém, existem alguns fatores de risco que tornam a pessoa mais propícia à doença, como o estresse emocional, tabagismo, diabetes, sedentarismo, hipertensão arterial, histórico familiar de problemas coronarianos, alto índice de colesterol, obesidade e ansiedade. Marcelo Cantarelli, cardiologista e coordenador da campanha Coração Alerta ressalta ainda como fatores de risco ?o uso de drogas ilícitas, em especial a cocaína e o crack, que provocam grandes infartos em pessoas muito jovens. Podemos reduzir muito o risco de infarto, identificando e tratando os fatores de risco, deixando de fumar e não usando drogas?, avisa.
Hoje é o Dia Mundial do Coração e uma das maiores preocupações é com a rapidez no atendimento, fator fundamental para salvar vidas. No Brasil, o indivíduo perde até duas horas para efetuar o contato inicial com o médico, depois de sentir algum sintoma. O problema é que, a cada meia hora que se atrasa para atender a vítima, o índice de mortalidade aumenta em 7%.

E você? Saberia reconhecer os sintomas do infarto na hora em que ele acontece? O que faria? A primeira pista de que está havendo o problema é uma dor intensa no centro do peito, irradiando para a mandíbula, pescoço, ombros e braços, principalmente o esquerdo. Mas há outros, que, inclusive, podem ser confundidos com outros sintomas. E é aí que mora o perigo.

?Estava dormindo e acordei passando mal do estômago, com azia e dores. Levantei-me e acabei vomitando. Voltei para a cama e minha mulher, que é muito preocupada, disse que ia me levar ao hospital. Falei que estava tudo bem, que as dores e o mal-estar já estavam passando. Ela insistiu e, para evitar confusão, fui. Chegando lá, o médico disse que eu estava tendo um infarto?, conta o administrador de empresas belo-horizontino Francisco Norberto Resende Moreira, de 64, que teve o colapso há cerca de 10 anos. ?Correram comigo para a sala de operação e quando acordei, horas mais tarde, eles já tinham feito todo o processo e colocado um stent. Ainda bem que não precisei de ponte de safena?, continua.

?Quando o corpo ?falar? é sinal de que o coração está em alerta, por isso, procure socorro imediatamente?, alerta Marcelo Cantarelli. O médico explica que o infarto do miocárdio é consequência da obstrução de uma artéria coronária por um coágulo de sangue sobre a placa de gordura, impossibilitando que uma quantidade suficiente de sangue chegue até aquela área do músculo cardíaco. A região sofre um processo de morte celular e necrose, podendo levar à morte súbita ou à insuficiência cardíaca.
O que fazer?
Ao ver alguém que apresente esses sintomas por mais de 10 minutos, não perca tempo: procure socorro urgente.

Enquanto a ajuda médica não vem, é preciso agir e o mais indicado é tranquilizar e aquecer a vítima. Salvo orientações médicas, não lhe dê nada de comer ou beber.

Desde que a pessoa não apresente dificuldades para engolir e não seja alérgica, dê-lhe três pequenos comprimidos de 100mg de ácido acetil salicílico (AAS ou aspirina), que ajuda a dissolver coágulos sanguíneos. Se a vítima desmaiar, verifique sua respiração e seu pulso.

Na ausência de sinais vitais, comece imediatamente os procedimentos de recuperação cardiopulmonar (massagem cardíaca) e chame o serviço de emergência (192).

Massagem cardíaca

Com o indivíduo deitado, coloque as mãos sobre seu peito, entre os mamilos.

Com os braços esticados, empurre as suas mãos com força, utilizando o peso do seu próprio corpo, contando, no mínimo, dois empurrões por segundo até a chegada do serviço de resgate. É importante deixar que o tórax do paciente volte à posição normal entre cada empurrão.

Caso tenha mais de uma pessoa para ajudar, reveze com ela a cada dois minutos. É muito importante não interromper as compressões. Assim, se a primeira pessoa se cansar, a outra assume continuando com as compressões, no mesmo ritmo. A massagem cardíaca deve ser interrompida apenas com a chegada do resgate ao local.

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