Apesar da troca de governo e mudança da política econômica, o desemprego no Brasil ainda cresce e essa situação péssima para os cidadãos não parece que vá melhorar em curto prazo. Apropriado à situação, cientistas da Universidade de Michigan divulgaram, na edição de novembro da revista Society and Mental Health,  os resultados de um estudo sobre o impacto que gera a ameaça à longo prazo da perda do emprego.

A observação mais importante é que os empregados que acreditam por décadas que perderão seus trabalhos acabam tendo níveis mais elevados de medo e aflição, ou seja, a insegurança no trabalho está relacionada com um maior sofrimento psicológico na vida adulta. Ao contrário de estudos anteriores que observaram trabalhadores por alguns anos, os cientistas acompanharam as mesmas pessoas durante 25 anos.

Os pesquisadores usaram os dados do estudo “Americans’ Changing Lives”, em que 435 pessoas foram entrevistadas em cinco ocasiões entre 1989 e 2011, sobre como se sentiram durante a semana anterior e listaram as preocupações com a segurança do emprego, principalmente durante a grande recessão de 2008 (uma feita em dezembro de 2007 e a outra em junho de 2009).

Os resultados mostram que o estresse relativo à insegurança no emprego foi maior entre as minorias étnicas e aqueles sem o ensino médio. Também os trabalhadores mais velhos sofreram mais. Supõe-se que a discriminação de idade por um empregador pode estar associado aos problemas de saúde no final da vida, o que poderia colocar em risco a capacidade dos mais velhos em manter um emprego.

Independentemente da idade, raça e escolaridade, entre outros fatores, a saúde dos participantes piorou significativamente mais para aqueles que estavam muito preocupados com a perda de emprego. E fica a dica dos cientistas para empregadores e gerentes, podem atuar para ajudar seus funcionários a permanecerem saudáveis, mesmo que as ameaças ao trabalho apareçam. É importante manter os empregados informados sobre o que está acontecendo. Informar sobre demissões iminentes ou mudanças de escritório, por exemplo, em vez de permitir a circulação de rumores, permite que os trabalhadores pensem sobre o fato e façam algum planejamento antecipado.

A pesquisa também sugere que os políticos e os empregadores pensem nos custos que envolvem a saúde e também na perda de produtividade que ocorre quando se tem muitos funcionários inseguros, especialmente durante e após recessões econômicas.

Já em outra pesquisa da mesma Universidade, verificou-se que a insegurança no trabalho leva à baixa produtividade e ao desinteresse profissional e quando os trabalhadores ficam nervosos e chateados, eles rendem menos e abandonam suas responsabilidades. O estudo, entitulado “Deviance and Exit: The Organizational Costs of Job Insecurity and Moral Disengagement”, publicado no Journal of Applied Psychology, focou em funcionários de empresas chinesas ao longo de vários meses para avaliar seu nível de insegurança no trabalho e o comportamento subsequente. O estudo está disponível na internet.

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