Formiga

Invenção promete carregar o celular com ondas sonoras

Às vezes acontece um verdadeiro momento ?eureca?. Para a astrobióloga Meredith Perry, aconteceu no fim de 2010, durante seu último ano de astrobiologia na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Ela procurava uma ideia para entrar no concurso de inovação da faculdade. Uma ?viciada em Google? confessa, ela passara o dia todo pesquisando no computador quando decidiu descansar.
?Eu estava de pé em meu quarto, enrolando o carregador do laptop e tentando enfiá-lo na bolsa, quando subitamente me ocorreu: isso é tão arcaico. Por que usamos esses cabos de 2 m para carregar a bateria de nossos dispositivos wireless??. Ela questionou por que, na era do wireless, ainda possuímos fios elétricos.
Como Meredith logo aprendeu, existem ótimas razões para não transmitirmos eletricidade pelo ar. Embora seja possível transmitir todo o espectro eletromagnético, de ondas de rádio a raios gama, existem problemas. ?Aprendi que era perigoso demais transmitir qualquer coisa na metade direita do espectro, e qualquer coisa na metade esquerda do espectro era ineficiente ou rigidamente regulamentada pelo governo?.
Então ela começou a procurar em outros lugares e se deparou com a piezoeletricidade ? uma forma de carga criada em certos cristais e cerâmicas durante vibrações. Se você viu declarações na internet sobre camisetas que ?recarregam seu celular quando você as veste?, ou sobre botas que criam a carga para o rádio de um soldado, você está familiarizado com a ideia da piezoeletricidade. Essas aplicações dependem de algo que já está em movimento.
E foi aí que aconteceu o segundo momento eureca ? permitindo que ela vislumbrasse como construir um dispositivo para recarregar via wireless a bateria de um celular ou computador do outro lado da sala. ?Como criar vibração no ar sem efetivamente mover algo?? A resposta veio como uma visão: ?O som é uma vibração no ar?.
Viração
A frequência do som ?é basicamente em quantos ciclos por segundo o ar está sendo empurrado por um espaço?, disse Perry. ?Possuímos minúsculos pelos no ouvido que vibram em resposta ao som. Interpretamos essa mudança na pressão do ar como som. Todavia, o som é algo que existe fora de nossa cabeça. Ele é formado simplesmente por partículas de ar movendo-se de forma organizada?. Sendo assim, seria possível criar ondas sonoras que os humanos não conseguem ouvir ou sentir para recarregar um celular?
Pesquisando, ela descobriu que sua ideia significava unir os campos de som, eletricidade, tecnologia de baterias e outras subespecialidades. Era uma ideia completamente multidisciplinar. Após ela vencer algumas barreiras de pesquisa, investidores a apoiaram.
Depois do contrato com o Founders Fund, mais de meia dúzia de capitalistas também entrou para criar US$ 1,4 milhão em financiamento ? incluindo Mark Cuban; a presidente do Yahoo, Marissa Mayer; a firma Andreessen Horowitz; e até mesmo Troy Carter, empresário de Lady Gaga. No início, Meredith pensou em chamar a empresa de ?Taking Charge?, mas acabou se decidindo por ?Beam?.