O calendário e o termômetro mandam dizer que o dia está bom para bebidas e comidas quentes, mas as caixas registradoras recomendam distância – ou cautela – na hora de comprar esses produtos, que estão mais caros. Preço acima da média por causa da sazonalidade (quando o clima afeta o que é produzido) e disposição para consumir mais são ingredientes certos para estourar o orçamento.
Entre as bebidas que compõem o café da manhã do brasileiro, o leite teve a maior alta desde fevereiro, quase 10%. Só de abril para maio, o preço do litro subiu cerca de 4,5% segundo o Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), do Dieese.
Alta tão tradicional quanto o maior consumo de iguarias à base de leite nesta época, como mingau, curau, canjica doce e até o chocolate quente. Conjunção de fatores que fazem o brasileiro sentir ainda mais o encarecimento do produto na entressafra, segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz.
Outros queridinhos do inverno que também aumentam a conta do supermercado são os queijos e a manteiga, ingredientes essenciais nos fondues, cremes brancos e caldos.
Surpresa foi a alta no do preço do pó de café, em plena colheita, em 1,32% em relação o mês de abril, como apurou estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da FGV.
Mesmo que pareça estranho, o reajuste não é obra de atacadistas ou supermercadistas. A remarcação vem do campo. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço da saca do café em grão sobe desde janeiro último e já está a quase R$ 240.
Substituir o cafezinho puro ou com leite pelo achocolatado não vai ajudar a economizar, pois esse também foi remarcado nos últimos dois meses. A alta neste ano já soma 7,03%.
Guisados salgados
Ao contrário do que muitos pensam, as temperaturas mais amenas não é ordem para baixar a guarda na feira, porque alguns hortifrutigranjeiros têm, tradicionalmente, custos mais altos nesta época do ano.
De acordo com a Central de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas), as maiores altas foram da beterraba, de 45%, e do jiló, de 44,4%. A abobrinha italiana, muito usada nessa época em guisados, também está mais salgada em 17,2%.
Se o inverno esvazia o bolso do consumidor, esquenta os caixas de alguns setores, como fabricantes de bebidas quentes.
O Grupo Décima, por exemplo, hoje dono dos vinhos Piagentini, espera incremento de 10% das vendas nesse inverno. Somado ao frio, que já estimula as pessoas a beberem vinho, está o aumento do consumo da bebida pelos brasileiros, comemora o executivo-chefe do grupo, Luiz David Tavesso.








