A juíza Maria José Starling, da comarca de Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, teria cobrado R$ 1,5 milhão para colocar o goleiro Bruno Fernandes em liberdade. A denúncia, feita na sexta-feira (10) pela noiva do jogador, a dentista Ingrid Oliveira, será apurada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. O deputado Durval Ângelo (PT), que preside a comissão, disse que pedirá o afastamento da magistrada. A Comissão de Segurança Pública da Assembleia também foi acionada no caso.
Segundo documento protocolado na Assembleia, Ingrid Oliveira decidiu revelar o esquema porque estaria sendo ameaçada por não ter pagado a propina, combinada em outubro do ano passado.
A denúncia envolve o advogado Robson Pinheiro, que chegou a atuar na defesa do goleiro, por dois meses, no ano passado. Ingrid, segundo a versão dada aos deputados, foi apresentada ao advogado pela juíza.
Segundo o deputado Durval Ângelo, o acordo previa que o advogado entraria com o pedido de habeas corpus para soltura de Bruno num fim de semana em que a juíza estivesse de plantão.
Assim, Maria José Starling concederia a liberdade a Bruno mediante o pagamento integral da propina. Um vídeo confirmaria detalhes da extorsão. A dentista teria prometido apresentar as imagens aos deputados e à Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na próxima sexta-feira.
O advogado da juíza e Robson Pinheiro negam as acusações. A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça informou que seria praticamente impossível que a juíza julgasse o habeas corpus, já que a comarca de Contagem é a responsável pelo caso. O tribunal aguardará uma representação formal contra Maria José Starling para iniciar a investigação.
A juíza é a mesma que em outubro do ano passado, durante uma das audiências do caso, causou surpresa ao defender a soltura de Bruno. Na ocasião, Maria José Starling disse que, se dependesse dela, o jogador estaria em liberdade.

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