As lebres-americanas (Lepus americanus), nativas da América do Norte, possuem uma impressionante adaptação: trocam de pelagem de acordo com a estação do ano. No inverno, ficam brancas para se camuflar na neve; já no verão e primavera, assumem tons marrom-avermelhados que se confundem com a terra e as rochas.
Segundo a professora Elisa Rochedo, do Colégio Católica Brasília, o processo é regulado pelo fotoperíodo — a variação da duração do dia e da noite — que aciona ajustes hormonais e estimula a produção de novos pelos. Apesar da mudança sazonal, as pontas pretas das orelhas permanecem como marca registrada da espécie.
Frequentemente confundidas com coelhos, as lebres se distinguem por pernas mais longas e orelhas maiores. Enquanto os coelhos recorrem à imobilidade para escapar de predadores, as lebres usam velocidade e patas traseiras adaptadas para correr sobre a neve como verdadeiras “raquetes”.
A espécie é considerada de baixo risco de extinção pela National Wildlife Federation, graças à alta taxa de reprodução — até oito filhotes por ninhada e quatro ninhadas por ano.
Apesar disso, o professor Julio Cesar de Moura Leite, da PUCPR, alerta que o aquecimento global pode comprometer a camuflagem natural das lebres. Com menos tempo de cobertura de neve, há risco de descompasso entre a cor da pelagem e o ambiente, aumentando a vulnerabilidade aos predadores. Para os especialistas, compreender essas interações é essencial para mitigar os impactos das mudanças climáticas sobre espécies dependentes da camuflagem sazonal.
Com informações do Metrópoles







