Formiga

Maioria ainda gasta 13º salário com presentes

Para consultores financeiros, o melhor destino para o 13º salário é o pagamento de dívidas, impostos e material escolar. Depois, se sobrar alguma coisa, aí sim deve-se empregar na compra de presentes de Natal. Mas, na prática, a maioria não resiste e gasta primeiro com os presentes.
O montador de móveis Aureliano Pereira, 25, ganha um salário mínimo e meio e não se importa em gastar todo o 13º com presentes. Às vezes, nem sei no que gastei, admitiu Aureliano, que tem uma filha. Esse comportamento é condenado pelo consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor de best sellers em educação financeira. As pessoas chegam no final do ano com muitas dívidas e ficam dependentes do 13º, explicou.
Cerbasi defende que o benefício extra deve ser reservado para pagar impostos de início do ano, matrículas escolares e anuidades de associações. Quitadas essas dívidas, se sobrar, pode ser gasto com lazer, presentes e tudo o mais, ensinou.
Foi o que fez a cabeleireira Silene Silva Cesário, 33, com renda mensal de R$ 1.500. Sem dívidas, com dinheiro guardado e um carro usado, Silene e o marido vão juntar o saldo do 13º deste ano para comprar um carro novo. É um carro de R$ 35 mil contou, enquanto segurava a mão de Roger, um dos filhos.
Para quem quer seguir o caminho de Silene Silva, a cabeleireira afirmou ser necessário investir pensando no amanhã. Eu evito gastos supérfluos e sempre guardo 30% do meu salário, ensinou Silene que, junto com o marido, tem uma renda de R$ 5.000.
As pessoas privilegiadas, como ela, que estão sem dívida e conseguem manter reservas, podem aproveitar ao máximo o benefício do 13º, garantiu o professor Wilson Pires, do curso de administração do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana. Elas podem optar em aumentar suas reservas, ou adquirir bens e serviços, pagando à vista e pleiteando descontos, disse.
O professor Wilson Pires orienta ainda o pagamento de débitos. A prioridade deve ser pagar as dívidas e, se o valor do 13º não for suficiente, preferir por pagar primeiramente os compromissos mais caros, ou seja, os que possuem maior taxa de juros, advertiu Pires.
Mas o vigilante Ely José Souza,43, com renda de dois salários mínimos e meio, não vai seguir o conselho dos consultores. Tenho dívida no cartão e no cheque especial, mas é tudo controlado, afirmou ele, que vai comprar presentes para os filhos.
O consultor financeiro Mauro Halfeld ressalta que o melhor mesmo é aproveitar o dinheiro extra para fazer uma reserva para casos de emergências.