Além de matar milhares de pessoas todos os anos, a violência no trânsito deixa muitas vítimas inválidas, algumas delas, de maneira irreversível. Essa situação pode ser constatada ao se avaliarem os dados do seguro DPVAT: 66% dos brasileiros que foram indenizados no primeiro semestre deste ano estão na categoria invalidez permanente. Foram 142.998 ressarcimentos desse tipo em um universo de 216.150 pagamentos feitos pela seguradora responsável.
Ainda se considerando o número relativo à invalidez permanente, ele cresceu 33% no primeiro semestre de 2012 comparando-se com o mesmo período do ano passado, quando foram 107.403 vítimas. A seguradora não tem os dados dessa categoria por Estado.
Mais de 38 mil estavam no banco do passageiro
Se as pessoas fizessem ideia do que é ficar preso a uma cadeira de rodas, sem poder se mover, elas seriam mais prudentes no trânsito, disse a aposentada Regina Soares Bragança, 60, que estava no banco do passageiro quando o seu sobrinho perdeu o controle do carro e caiu em um abismo de uma estrada, há 15 anos. Ela teve uma lesão na bacia e ficou tetraplégica. A irmã de Regina, que estava ao lado dela, quase perdeu o braço. O motorista escapou ileso.
Assim como ela, outras 38.907 pessoas que estavam como passageiras de veículos foram indenizadas pelo DPVAT no país neste ano após sofrerem acidentes, sendo que mais da metade ficou inválida. Regina sente falta de andar e também de trabalhar. Ela era sacoleira antes do acidente. Agradeço por estar viva e lúcida, mas não desejo isso para ninguém.
Segundo o Ministério da Previdência Social, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) gasta cerca de R$ 8 bilhões por ano com as despesas decorrentes de acidentes de trânsito no Brasil – principalmente com pessoas que tiveram que se aposentar mais cedo. Os acidentes de trânsito representam um problema social grave e que atinge todos, disse o presidente da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), Fábio Nascimento.








