Empresas e consumidores já podem acessar, a partir desta terça-feira (4), um manual gratuito de comunicação anti-washing online, criado para orientar a divulgação de ações socioambientais e práticas de governança. A iniciativa também conta com uma inteligência artificial treinada para esclarecer dúvidas sobre o tema e auxiliar na comunicação relacionada à agenda ESG.
O manual foi desenvolvido pela Plataforma de Ação Para Comunicar e Engajar (Pace), uma iniciativa do Pacto Global das Nações Unidas (ONU) – Rede Brasil, e reúne critérios práticos para ajudar empresas a comunicar suas estratégias ambientais, sociais e de governança.
Segundo Ana Urquiza, gerente de Comunicação, Marketing e Eventos do Pacto Global da ONU, o material foi estruturado para atender diferentes setores dentro das organizações.
“É uma ferramenta com checklists e metodologia destinadas a conselhos de administração, profissionais de marketing, comunicação, sustentabilidade, compliance jurídico. Todas as camadas de profissionais podem utilizar”, explica Ana Urquiza.
O conceito de anti-washing tem origem no termo em inglês greenwashing (“lavagem verde”, em tradução livre), criado na década de 1980 para definir práticas ambientais enganosas. Com o passar dos anos, a expressão passou a abranger outras formas de comunicação considerada enganosa, como o social washing e o governance washing, relacionados a falsas divulgações sobre ações sociais e de governança.
O Manual Anti-Washing em Sustentabilidade pode ser acessado na página do Pacto Global – Rede Brasil.
A iniciativa também inclui uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida para apoiar empresas na criação e revisão de comunicações relacionadas à sustentabilidade.
De acordo com Ellen Bileski, diretora executiva da Ecomunica e cocriadora das ferramentas, o objetivo é aumentar a segurança das equipes de comunicação na divulgação de boas práticas de ESG.
“Muitas vezes as empresas deixam de comunicar ações legais porque têm medo de cair nessa coisa do escrutínio, do washing”, afirma Ellen Bileski.
O manual foi um dos conteúdos utilizados no treinamento da inteligência artificial. Além dele, a ferramenta recebeu informações do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), dos Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos, dos padrões da Global Reporting Initiative (GRI) e do International Sustainability Standards Board (ISSB), referências internacionais na produção de relatórios de sustentabilidade.
O assistente de inteligência artificial funciona dentro do ChatGPT e pode ser utilizado para revisão de narrativas institucionais, análise de linguagem, criação de campanhas, avaliação de riscos e outras atividades relacionadas à comunicação ESG.
“Hoje o ChatGPT é a inteligência artificial mais democrática, mais usada pelas pessoas em geral, então, a gente teve essa preocupação de ser dentro de uma IA que é bastante acessível”, destaca Ellen Bileski.
Além das empresas, consumidores também podem utilizar a ferramenta para avaliar se determinadas campanhas de sustentabilidade são confiáveis ou não.
Segundo Ana Urquiza, os instrumentos foram desenvolvidos com base nos três principais pilares da Plataforma de Ação Para Comunicar e Engajar: ética, evidência e engajamento.
A proposta é orientar empresas a divulgarem apenas informações que possam ser comprovadas, de forma transparente e acessível ao público.
“As informações precisam estar disponíveis e acessíveis para que a comunidade possa verificar se elas são realmente alinhadas à prática e não estão só no discurso”, conclui Ana.
Com informações da Agência Brasil








