Indústria paga menos, mas tem preferência porque compra muito.
A produção mineira de maracujá, em 2011, tem boas perspectivas com base nos números registrados atualmente nos cinco municípios que lideram a safra estadual. De acordo com levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater), vinculada à Secretaria da Agricultura, os municípios de Jaíba (Norte), Araguari (Triângulo), Carmo do Paranaíba, Patrocínio e Monte Carmelo (Alto Paranaíba), juntos, devem colher neste ano cerca de 14,0 mil toneladas, volume 30,8% superior ao registrado pelo grupo em 2010.
A colheita estimada de maracujá dos cinco municípios, neste ano, equivale a cerca de 38% da produção total da fruta em Minas em 2010, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os produtores de Araguari, em sua maioria agricultores familiares, devem colher, neste ano, cerca de 3,1 mil toneladas de maracujá, volume 8,3% superior ao registrado pelo município na safra anterior, prevê o extensionista José Ernane Pereira, da Emater. Ele diz que os 130 hectares de maracujá em produção nos pomares de Araguari possibilitam essa previsão.
?Além de entregar a fruta para as indústrias e diretamente para o varejo, sobretudo sacolões, os agricultores colocam o produto na Ceasa de Uberlândia, onde o nome de Araguari sempre lidera a relação de fornecedores nesse segmento?, explica Pereira.
Os agricultores estão concentrados atualmente na colheita, que teve início em outubro de 2010 e segue até julho. Já o comércio de mudas e insumos para o cultivo de maracujá espera a entressafra dos pomares, que ocorre entre meados de agosto e o fim de setembro, com a perspectiva de aumentar as vendas. José Rafael da Silva, diretor técnico do Viveiro Flora Brasil, em Araguari, diz que está atento aos comentários dos produtores sobre o mercado atual para programar a comercialização de mudas. ?A oferta da fruta é alta, mas o mercado atualmente é bom, com preço médio razoável, e isso pode ser um indicativo de boas vendas de insumos?, ele explica.
Atualmente, o quilo de maracujá ?in natura?, produto selecionado, é superior a R$ 1,00, vendido para a Ceasa, sacolões e outros estabelecimentos do varejo. Já o maracujá destinado à indústria tem cotação menor, mas interessa mais aos produtores porque os volumes de vendas são maiores e não há exigência quanto à aparência da fruta.
Venda em grande volume
O produtor Genézio Borges Júnior faz parte do grupo que reserva o maior volume de sua produção para a indústria. Ele conta com cerca de 13 mil pés de maracujá no Sítio Coccoza e Sítio Cachoeirinha, localizados em Araguari. A safra estimada para este ano, nas duas propriedades, é da ordem de 150 toneladas, sendo 95% desse volume destinado a uma indústria instalada no próprio município.
Genézio confirma que o preço do produto pago pela indústria às vezes é a metade do registrado nas vendas para o varejo, mas ainda assim ele enfatiza que é preferível destinar maior volume da fruta ao processamento. ?O maracujá é uma fruta delicada, que pode apresentar alterações na aparência, embora isso não signifique falta de qualidade da polpa, e a indústria tem conhecimento desse fator. Já o comprador dos sacolões, por exemplo, rejeita o produto com manchas na casca?, ressalta o produtor.
Além disso, segundo Genézio, as vendas para a indústria são feitas à base de contratos, o que facilita a programação dos plantios. Outro fator favorável ao produtor é a proximidade da unidade processadora, que está localizada no próprio município. ?A economia de frete neste caso é considerável?, ele ressalta.
O produtor diz que sua atividade principal era o cultivo de café, mas em 2009 ele decidiu trabalhar também com maracujá. ?Por isso, só agora temos pomares em plena produção nos sítios?, explica. Ele considera boas as perspectivas do mercado e, por isso, vai investir na expansão dos plantios. O cultivo do maracujá, segundo o produtor, é indicado principalmente para os agricultores familiares que tenham condições de cuidar diretamente dos pomares, porque a planta exige atenção permanente.

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