Crianças normalmente brincam, correm e caem o tempo todo. No entanto, algumas brincadeiras causam acidentes graves, que poderiam ser evitados, na maioria das vezes, com um pouco mais de cuidado dos adultos com relação aos pequenos. A afirmação é da médica pediatra do Hospital de Pronto Socorro João XXIII (HPS), da Rede Fhemig, Marislaine Lumena Mendonça, que também é membro da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Quedas de móveis e bicicletas e ingestão de corpos estranhos, como peças de brinquedos, moedas, broches, bijuterias, pilhas e baterias são comuns e, de acordo com Lumena, podem causar sufocação e engasgamentos graves. De janeiro a agosto de 2010 foram registrados 1.624 atendimentos a crianças de 0 a 12 anos, que haviam ingerido algum tipo de corpo estranho. Em 2009 esse número foi de 2.672 durante todo o ano. O HPS também registrou 4.162 ocorrências de atendimento a crianças de 0 a 12 anos de idade, por quedas, somente de janeiro a agosto de 2010. Em 2009 foram 7.373 casos.
Brinquedos
Lumena faz um alerta sobre o perigo de peças pequenas ou pontiagudas nas mãos de crianças muito pequenas. ?Crianças com até 3 anos têm tendência a colocar pequenas peças na boca e são mais propensas a engolir ou sofrer engasgos que podem causar sufocação. Por isso, os brinquedos não devem ser pequenos e nem conter partes destacáveis que possam ser colocadas na boca?, explica a médica, que aconselha aos pais comprarem brinquedos que contenham o selo do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), o que comprova que o produto passou por testes antes de ser comercializado.
Lumena aconselha aos pais, ainda, terem atenção às brincadeiras dos filhos. ?Além de escolher brinquedos que não apresentam perigos, é importante assegurar-se de que as crianças saibam usá-los e que brincam em locais seguros. A melhor maneira é supervisionar as brincadeiras e até mesmo participar delas. Podem aproveitar este momento para interagir com as crianças e ensiná-las a dividir e a respeitar regras?.
A médica enfatiza que a maioria dos acidentes ocorre dentro das próprias casas, principalmente na cozinha. ?Envenenamentos e intoxicações em crianças menores de 5 anos representam maior risco e 90% destes acidentes acontecem dentro de casa. Os medicamentos, cosméticos, plantas, pesticidas, álcool, material de limpeza ou de pintura são alguns dos produtos envolvidos. A soda cáustica e outros agentes corrosivos, comercializados sem controle e em frascos sem tampa de segurança, quando ingeridos são responsáveis por lesões do tubo digestivo que deixam sequelas graves e necessitam de tratamento prolongado?, relata.
Queimaduras
Outro tipo de acidente grave e que, segundo a pediatra Marislaine Lumena, também poderiam ser evitados com a atenção dos adultos, são as queimaduras, principalmente por óleo de cozinha e álcool líquido.
No Hospital João XXIII (HPS), 325 crianças deram entrada, no período de janeiro a agosto desse ano, com queimaduras de diversos graus de gravidade. Em 2009 esse número chegou a 573 durante todo o ano.

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