Formiga

?Memórias de uma Gueixa? é a indicação da semana

Nesta semana a Biblioteca Municipal Dr. Sócrates Bezerra de Menezes traz como indicação de leitura o livro ?Memórias de uma Gueixa? do autor Arthur Golden.
A indicação faz parte do projeto ?No meio do caminho tem um livro?, uma parceria entre o jornal Nova Imprensa e as bibliotecas públicas da cidade.

Resenha
Memórias de uma Gueixa é um verdadeiro tour de force: as confissões de uma das gueixas mais renomadas do Japão, narradas com autenticidade rara e uma forma ainda mais rara de lirismo.
Com uma voz ao mesmo tempo assombrada e absolutamente direta, a já idosa Nitta Sayuri relata as histórias de sua vida de gueixa. Conduzidos pela voz de Nitta, o leitor entra em um mundo onde o que mais conta são as aparências, onde pode-se leiloar a virgindade de uma criança, onde as mulheres são treinadas para enfeitiçar os homens mais poderosos, e onde o amor é desprezado como uma ilusão.
O relato de Nitta tem início numa vila pobre de pescadores, em 1929, onde a menina de nove anos é tirada de casa e vendida como escrava. Pouco a pouco, o leitor acompanha a transformação da garota pelas artes da dança e da música, do vestuário e da maquilagem; e a educação para detalhes como a maneira de servir saquê revelando apenas um ponto do lado interno do pulso, armas e mais armas para as batalhas pela atenção e o dinheiro dos homens. Mas a segunda Guerra força o fechamento das casas de gueixas e Sayuri vê-se forçada a se reinventar.
Rico de minúcias e revelando, á sua maneira, um conhecimento profundo da cultura e da história do Japão, Memórias de uma Gueixa já foi traduzido em mais de quinze países, menos de um ano após ser lançado; e será transformado em um filme. Os fatos comentados e citados no livro são muito interessantes, pois deixam claro algumas ideias pragmáticas do Éthos japonês, que nos faz refletir o quanto a vida é fugaz (mesmo do outro lado do planeta, há décadas atrás). A leitura da história exercita a ideia de que ?há males que vem para o bem? e nos apresenta um conceito mais profundo de como as Gueixas eram realmente. Elas não eram amantes de homens poderosos e muito menos prostitutas, mas mulheres que dedicavam suas vidas a servir o imaginário do homem sim, mas isso, muitas vezes, não tinha a ver com servidão sexual.
Recomendadíssimo para quem se interessa, não somente pela cultura oriental, mas também para quem gosta de refletir sobre a efemeridade da vida e como tudo que acontece ao nosso redor é grande ou pequeno, dependendo que como aquilo nos atinge, dependendo de como nos deixamos ser atingidos.