Dá quase para contar nos dedos de uma mão o número de indústrias de grande porte em Minas Gerais com mais de 3.000 funcionários: apenas 13. Segundo dados do Cadastro de Estabelecimentos Empregadores (CEE) do Ministério do Trabalho, compilados pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), as grandes empresas representam apenas 0,53% dos empreendimentos ativos no Estado, ante 96,95% de micro e pequenas. O restante, 2,52%, são de médias empresas. Em São Paulo, cerca de 60 empresas possuem mais de três milhares de funcionários.
No setor industrial, das 130.381 empresas espalhadas por toda Minas Gerais, 67.969 não têm nenhum empregado e apenas 102 possuem mais de mil. O presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior, disse que tem visto um movimento de empresas de grande porte que vão sempre para outros Estados, nunca para Minas.
Este ano, dos 48 protocolos de investimentos assinados no Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), apenas um prevê número significativo de empregos a serem criados: 4.950. Os demais protocolos informaram a geração de dez a 600 vagas.
O professor de economia empresarial da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBF), Mauro Rochlin, acredita que Minas Gerais perde indústrias por causa da economia de escala de outros Estados, como São Paulo, que têm um bom número de empresas de grande porte. É um número pequeno (em Minas) e mostra pouca competitividade em grandes setores de escala de produção, explicou o professor.
O sócio da PWC em Belo Horizonte, empresa de consultoria presente em 151 países, Carlos Augusto da Silva, disse que em Minas o grande potencial de crescimento está nas médias empresas e em setores da construção civil e serviços. São empresas com faturamento entre R$ 50 milhões a R$ 150 milhões e que precisam se preparar para serem grandes empresas, disse.
Dentre as empresas do grupo dos 13, de grande porte, a Usiminas tem 7.600 empregados no Estado e sua subsidiária, a Usiminas Mecânica, outros 6.300, sem contar os temporários em canteiros de obra. A Fiat tem 15,5 mil empregados diretos. Mas, na fábrica, trabalham cerca de 25 mil pessoas, contando os empregos indiretos gerados por prestadores de serviço e fornecedores.
O diretor de recursos humanos de outra gigante, a Comau América Latina, que tem 3.897 empregados e 300 novas contratações previstas, Márcio Adriani Damazio, disse que o Estado poderia atrair mais atividades além da siderurgia, mineração e automotivo. Setores como eletroeletrônico, telecomunicações, químico e farmacêutico poderiam ampliar o parque industrial de Minas e, consequentemente, a geração de empregos, afirmou.
A Vale tem 37.739 empregados próprios e terceiros permanentes no Estado. Em função dos diversos investimentos que a Vale mantém em Minas Gerais, estamos gerando mais de 10 mil terceiros em canteiros de obras dos projetos em andamento, informou a mineradora que acrescentou a expectativa de que sejam gerados 3.000 novos empregos no Estado, ainda neste ano.

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