Ladainha, na região do Vale do Mucuri, pode ter registrado nessa quinta-feira (12) a primeira morte por febre amarela na zona urbana do município. Se confirmado, o caso mineiro será o primeiro do país fora da zona rural desde 1942. Enquanto isso, as notificações da doença continuam a crescer e passaram de 48 para 110 em um dia, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Segundo o secretário municipal de Saúde de Ladainha, Fábio Santos, dois óbitos suspeitos de febre amarela foram registrados nessa quinta-feira. Um deles é de um homem de 47 anos, morador da área urbana, que não teria ido à zona rural. Ele estava internado desde segunda-feira (9) com sintomas da doença e, nessa quarta-feira (11), foi transferido para um hospital de Teófilo Otoni, na mesma região, mas não resistiu.

“Essa morte aumenta muito nossa preocupação, por ser de um residente da zona urbana. Vacinamos 100% da população do bairro onde ele morava”, afirmou Santos. O secretário, porém, não acredita se tratar de febre amarela urbana, transmitida pelo Aedes aegypti, e sim do tipo silvestre, transmitido pelo mosquito Haemagogus: “A cidade é rodeada por mata, com muitos macacos. No quintal da casa vizinha, encontramos um sagui morto”.

A outra morte em Ladainha foi de um homem de 43 anos, morador da zona rural. A cidade tem o maior número de suspeitas da doença em Minas, com 31 notificações e um total de 12 óbitos em investigação – três são prováveis para a febre amarela, segundo a SES.

“O que está acontecendo aqui é assustador, mas estamos fazendo tudo o que podemos”, disse o prefeito Walid Nadir Oliveira. A vacinação na zona urbana, antes concentrada em uma quadra poliesportiva, passa nesta sexta-feira (13) a ser feita em postos de saúde, enquanto na zona rural a imunização ocorre de casa em casa. A previsão é que toda a população esteja imunizada até segunda-feira (16).

Temor

A morte na zona urbana reforça a preocupação em relação ao retorno da febre amarela urbana ao país. Segundo a bióloga Marcia Chame, coordenadora da Plataforma Institucional de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o ciclo natural da doença no Brasil ocorre na floresta fechada, mas estudos apontam que, a cada sete anos, há surtos entre primatas além das matas.

“Hoje nas áreas urbanas nós temos o Aedes, que, no Brasil, não transmite febre amarela, não sabemos o porquê, mas em outros locais do mundo transmite. A grande apreensão é que, quando esse ciclo se aproxima de áreas urbanas extremamente infestadas de Aedes, nós não sabemos se ele pode passar a transmitir a doença”, diz.

A SES ressaltou que, por enquanto, só há registro da febre amarela silvestre, mas que ambas as formas da doença podem ser prevenidas pela vacinação. A pasta disse ainda que, no caso da febre urbana, a eliminação de criadouros do Aedes é importante. A secretaria não comentou a morte em Ladainha. Já o Ministério da Saúde informou que “não há risco iminente de reurbanização dessa doença no Brasil”.

 

Fonte: O Tempo Online ||

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