Os polêmicos trotes de cunho racista feitos por alunos de direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) abriram portas para a discussão sobre o combater esse crime no Estado. Nesta segunda-feira (8), em reunião na Assembleia Legislativa, a Federação Israelita de Minas Gerais (Fisemg) propôs a criação de uma Delegacia Especializada de Crimes Raciais.
A proposta é semelhante à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, que funciona em São Paulo e no Rio de Janeiro. Hoje, a Polícia Civil de Minas recebe queixas de crimes de racismo em qualquer delegacia do Estado.
Por isso, segundo o presidente da Fisemg, Marcos Brafman, é necessária uma especialização para tratar o crime. As delegacias contra o racismo devem investigar grupos que praticam o crime, como prevenção, e atuar mais rigidamente nas ocorrências. A Secretaria de Estado de Defesa Social informou, por meio da assessoria, que não foi consultada sobre a proposta.
Repúdio
Ainda nesta segunda-feira o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial publicou nota de repúdio ao trote promovido na UFMG, em 12 de março, quando uma caloura foi pintada de preto, acorrentada e teve uma placa pendurada no pescoço com os dizeres caloura Chica da Silva – em alusão à escrava do século XVIII.
O comunicado, publicado no Diário Oficial da União, exige respostas da UFMG sobre a apuração do caso e cita a atitude dos estudantes como injustificáveis episódios de racismo.
A vice-reitora da UFMG, Rocksane de Carvalho Norton, rebateu as críticas. Ela disse que uma comissão da reitoria analisa o episódio e que a conclusão do caso deve ser feita até este dia 19.
Pelo estatuto da universidade, os responsáveis podem ser suspensos ou expulsos, depende da apuração.
Feliciano
A nota do conselho também repudia a indicação do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.








