Minas Gerais está cada vez mais próxima de ocupar a segunda posição entre os estados brasileiros com maior número de pessoas em situação de rua. De acordo com levantamento divulgado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG), o estado contabiliza 34.849 moradores nessa condição, apenas 557 a menos que o Rio de Janeiro, que registra 35.406 pessoas. São Paulo permanece na liderança nacional, com 159.290 homens, mulheres e crianças vivendo nas ruas.
Os dados revelam um cenário de crescente vulnerabilidade social no país. Em maio de 2026, o Brasil contabilizou 388.855 pessoas em situação de rua. A região Sudeste concentra mais de 61% desse total, reunindo 234.553 registros.
Além de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os estados com maiores números de pessoas vivendo nas ruas são Paraná, com 18.430 registros, Bahia, com 17.579, Rio Grande do Sul, com 17.574, e Ceará, com 15.366. Essas unidades federativas integram o grupo classificado como “crítico” pela pesquisa, composto por estados que possuem mais de 15 mil pessoas em situação de vulnerabilidade.
Um dos aspectos que diferencia Minas Gerais dos demais estados é a distribuição geográfica da população em situação de rua. Segundo a contagem realizada em 2025, 46,6% dessas pessoas vivem em Belo Horizonte, enquanto 53,4% estão distribuídas por municípios do interior mineiro.
O cenário contrasta com o de outras unidades da federação. Em Roraima, por exemplo, 99,7% da população em situação de rua está concentrada em Boa Vista. No Ceará, Fortaleza reúne 80% dos registros. Já no Rio de Janeiro, a capital concentra 69,6% das pessoas nessa condição, enquanto em São Paulo a capital abriga 67,2% do total estadual.
A capital mineira apresentou um aumento expressivo no número de pessoas em situação de rua nos últimos anos. Em maio de 2026, Belo Horizonte registrou 16.115 pessoas nessa condição inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), contra 9.157 registradas em 2021, o que representa crescimento de 76%.
O CadÚnico, banco de dados do Governo Federal destinado à identificação de famílias de baixa renda, é utilizado como uma das principais ferramentas para contabilizar a população que utiliza as ruas como moradia.
Com os números atuais, Belo Horizonte ocupa a terceira posição entre as capitais brasileiras com maior população em situação de rua, atrás apenas de São Paulo, com 108.202 pessoas cadastradas, e do Rio de Janeiro, com 24.403.
Governo de Minas não se manifesta
A reportagem do Hoje em Dia informou ter procurado o Governo de Minas Gerais para comentar os dados apresentados pela pesquisa. No entanto, não houve retorno até o momento da publicação da matéria.
Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que mantém uma rede de atendimento voltada à população em situação de rua, com ações nas áreas de assistência social, saúde, moradia e inclusão produtiva. O município destacou ainda o trabalho das equipes de abordagem social, a ampliação dos serviços de acolhimento e programas voltados à reinserção social e ao acesso à moradia.
Segundo a administração municipal, o aumento observado nos últimos anos está relacionado a diversos fatores intensificados após a pandemia. Entre eles estão o agravamento de questões de saúde mental, o enfraquecimento dos vínculos familiares e comunitários e os impactos econômicos provocados pela redução da renda da população.
Os dados do levantamento da UFMG mostram o avanço da população em situação de rua em Minas Gerais e evidenciam um cenário de vulnerabilidade social crescente. Com números próximos aos registrados no Rio de Janeiro e um aumento expressivo em Belo Horizonte, o estado se aproxima da segunda colocação nacional nesse indicador. O estudo também destaca a particularidade mineira, onde a maioria das pessoas em situação de rua vive fora da capital, reforçando a necessidade de políticas públicas que contemplem tanto os grandes centros urbanos quanto os municípios do interior.
Com informações do Hoje em Dia







