Os motociclistas representam 35% das mortes em acidentes registrados no ano passado nas estradas da região metropolitana da capital fiscalizadas pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv).
Dos 123 óbitos em 2012, 44 foram de condutores de motos. Para especialistas e a corporação, o número é alto, e as principais causas são a imprudência e o despreparo da categoria, já que as aulas de direção destinadas a esse público são ruins.
Segundo o comandante da PMRv, major Agnaldo Lima de Barros, a quantidade de motos em estradas é inferior à de outros tipos de veículos para representar um percentual tão elevado de óbitos. O problema é que os motociclistas são imprudentes, principalmente em ultrapassagens e ao circularem nos corredores, diz o major.
Conforme o consultor em transporte e trânsito Osias Baptista Neto, a preparação dos motociclistas para tirar a habilitação também é falha em relação às estradas. Os motociclistas fazem as aulas de direção fechados em um local, e, de repente, precisam dirigir entre carros, ônibus e carretas. A moto é leve. Se um veículo pesado encosta no motociclista, a chance de ele morrer é muito grande, avalia.
Anel
Ainda de acordo com os dados da PMRv, a maioria das mortes de motociclistas aconteceu no Anel Rodoviário. Ao todo, foram 13 óbitos na via. O presidente da Associação dos Motociclistas Trabalhadores de Minas Gerais, José Carlos, mais conhecido como Jacaré, explica que o principal problema é que os motociclistas lidam com o Anel como uma via urbana e se esquecem da quantidade de carretas e de ônibus que trafegam no local.
O Anel é o caminho para casa desses motociclistas. Eles não veem a via como um tráfego interestadual, ressalta. Segundo Jacaré, placas de segurança poderiam ser colocadas no espaço entre as rodas de veículos pesados, para evitar que os condutores de motos caíssem embaixo delas. Ele afirma ainda que é preciso melhorar as condições das vias e a iluminação.

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