Infelizmente esta é a definição mais apropriada que encontro para dar título a uma matéria em que dois ou três fatos recentes me levaram a refletir sobre eles.

Para começo de conversa, quando constato que não faz muito tempo, o presidente do STF se deu ao trabalho de determinar o valor a ser cobrado numa cancela de pedágio literalmente destruída por moto próprio do Sr. Marcello Crivella ali na chamada linha Vermelha, numa ação intempestiva e espetaculosa, me pergunto se o presidente da mais alta corte de Justiça do país teria mesmo que descer a este nível.  Tão logo o fato foi anunciado não foram poucos os que criticaram a chamada judicialização e/ou ativismo judicial que ultimamente por aqui ocorre.

Tudo bem, mas se o Poder Executivo extrapola os limites em que se insere e o Legislativo não cumpre suas funções – me aprece que a solução encontrada não poderia mesmo ter sido outra.

Na manhã de quinta-feira (29), conferindo a lista dos escolhidos pelos partidos para comporem a seleta turma que funcionará (?) na tal CPI da Pandemia, mais uma vez, lembrei-me que a escolha dos senhores legisladores, ainda que indiretamente, passou pelo crivo do Judiciário. Verifiquem que, a esmagadora maioria deles responde a processos, exatamente sobre a suspeita de haverem malversado no uso do dinheiro público.  Muitos, egressos das grades, exatamente em razão dos alvarás de soltura concedidos monocrática ou em turma, por suas excelências. Tem gente ali, transitando livremente na Casa Legislativa, exibindo o adorno conhecido como tornozeleira eletrônica. Fico a imaginar até que a escolha deles foi certa pois, se a comissão pretende investigar a possibilidade de falcatruas havidas, é óbvio que gente com mais experiência no ramo irá se desvincular da incumbência com maior facilidade. 

E verificando as últimas falas daqueles que respondem pela Anvisa, fico a pensar que o aparelhamento dos órgãos e das autarquias é tal que, mesmo em se tratando de decidir sobre algo, no caso, a liberação para a aquisição de imunizantes, a vontade de A ou B, supera os interesses coletivos e a saúde pública, ou melhor, a vida de milhares de brasileiros que se dane. Não bastasse o negacionismo reinante na esfera que decide tudo, retratada pela passagem de nada menos que quatro ministros durante este primeiro ano de pandemia, o povo brasileiro ainda é submetido à espera interminável para ser imunizado, simplesmente porque no caso, o Executivo e os penduricalhos a ele ligados, resolveu que o mundo todo errou quando admitiu que milhões de doses de uma tal vacina soviética estivesse lá fora salvando vidas e por aqui não pode chegar por questões, ao que parece meramente burocráticas. Acredito que mais uma vez, a judicialização resolverá a pendenga. É claro com o atraso que é normal mas, que nesse caso, nos custará mais algumas milhares de vidas de inocentes úteis que são tratados apenas como “respeitáveis eleitores” a cada 2 anos neste país.

E aí meus caros leitores, eu acredito que não conseguirei nunca entender por quais razões a democracia, para muitos o melhor dos regimes, para ser exercida em sua plenitude tem que ser harmônica, respeitosa e garantida a Independência entre os três Poderes da República.  Tanto que inventou-se por aqui, o tal governo de coalisão, que resumidamente, se define  na prática como sendo o jeitinho brasileiro,  conhecido popularmente como “toma-lá-dá-cá.  Filho do Centrão, adotado e adorado por tantos outros blocos e partidos que há décadas se abrigam lá no tal Congresso.

Ali Babá tinha consigo só quarenta, não é mesmo? Em ordem de grandeza, certamente temos muitos mais, e talvez seja esta a razão, de nossa nau continuar desde 1500, navegando sem rumo! Até quando? Talvez em 2022 se sobrevivermos, a gente saiba a resposta.    

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