Na manhã desta sexta-feira (12), foi realizada uma assembleia da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), na cidade de Nepomuceno, no sul de Minas.
Mais de 180 pessoas estiveram presentes no Centro de Eventos e foram recepcionadas pela prefeita da cidade, Luiza Maria Lima Menezes (Iza Meneses).

Além da realização de palestras, a assembleia serviu para que fossem discutidos assuntos de interesse dos municípios. O principal deles foi a necessidade de união em torno de ações que pleitearão junto ao governo federal e órgãos estaduais, referentes à adoção de medidas e providências práticas que garantam a manutenção do nível do Lago de Furnas, dentro de parâmetros aceitáveis e que garantam, efetivamente, o multiuso daquelas águas.
A primeira palestra da manhã foi proferida pela professora Ana Carla Fernandes Moura, coordenadora geral de Mapeamento e Gestão Territorial do Turismo do Ministério do Turismo, seguida pela apresentação do jornalista Paulo Coelho, que discorreu sobre o drama causado pela falta de regularidade na manutenção do nível do lago. Segundo demonstrou, mais notadamente desde o ano 2000, acelerou-se o processo de prejuízos econômicos e sociais e ainda comprovou que a crise foi denunciada por ele próprio no encerramento do Encontro Mundial de Barragens. Sucintamente discorreu sobre as opiniões de autoridades nacionais e internacionais presentes àquele encontro as quais concordaram com sua tese, a mesma que atualmente a Alago, mais uma vez, defende.

O formiguense João de Assis, em uma breve explanação, mostrou a importância da facilitação da exploração de esportes náuticos como vocação natural do lago, indutora da criação de empregos e renda neste ramo da atividade turística que, conforme se viu, está entre as que mais atraem riquezas e melhor as distribui.
Corroborando com a tese defendida pelos formiguenses (Paulo e João) o prefeito de Cristais, Djalma Francisco de Carvalho também fez uso da palavra. Concitou os prefeitos da região a se unirem junto à Alago, para, de uma vez por todas, somarem esforços e agirem politicamente, exigindo que os direitos dos mineiros, em especial daquela região, sejam defendidos pois, para ele, é criminosa a forma com que os operadores do sistema têm permitido o esvaziamento (desnecessário) do Lago de Furnas.
A seguir, o também professor, Afonso Henriques Moreira Santos discorreu e apresentou dados diversos sobre o setor elétrico nacional que ele, como profundo conhecedor do sistema, deles dispunha. Discordou de algumas afirmações feitas por Paulo Coelho, em especial às relacionadas aos dados obtidos pelo jornalista junto a ONS, relativos aos anos de 99/2000. O palestrante, que foi gestor do Sistema nesse período, atribuiu ao “apagão” e a razões políticas, os problemas que acabaram repercutindo na não manutenção do nível do lago em suas cotas mais elevadas. Ao final, concordou e deixou claro que será bem vinda uma ação política dos municípios da região para se defenderem do que mostrou ser a grande influência (pressão por razões óbvias) exercida pelas produtoras de energia em cima dos “burocratas” que se valem de modelos pré-estabelecidos, no controle da vazão destinada à produção de energia. Defendeu a necessidade (do ponto de vista econômico) do funcionamento da hidrovia do Paraná/Tietê e lembrou aos presentes que também lutou, e muito, para que se mantivesse no Lago de Furnas, também uma hidrovia.
A seguir, foi realizada a palestra proferida pelo professor José Miranda Marques, que discorreu sobre os temas: Reforma Política e vedações do último ano de mandato.
Prefeitos presentes: Luiza Menezes (Nepomuceno); Hideraldo Henriques Silva (Boa Esperança); Nelson Lara (Guapé); Djalma Carvalho (Cristais); Rossano de Oliveira (Coqueiral); Marcelo Chaves (Três Pontas); Sebastião Cesar Lemos (Carmo do Rio Claro); José Tibúrcio Neto (Paraguaçu); Hamilton Resende (Perdões); Godofredo Reis (Carmo da Cachoeira); Ailton Costa (Pimenta); Hermes de Souza (Alterosa).
Um grande número de vereadores, secretários municipais, empresários e outros interessados nos assuntos ali tratados, também compareceu ao evento. Da cidade de Formiga ali estiveram: Evandro Donizeth da Cunha (presidente da Câmara), vereadores Wilse Marques, Flávio Martins e Mauro César e os secretários Alex Arouca; Alisson Sá e Leyser Rodrigues, que representaram o prefeito de Formiga Eugênio Vilela.


Do evento saiu uma carta dirigida a Ministros e dirigentes de agências e entidades interessadas na defesa do Lago, a seguir transcrita:




























