Novos testes chegam ao mercado norte-americano para detectar a síndrome de Down em fetos a partir de amostras de sangue das mães. Os procedimentos reduzem exponencialmente a necessidade de testes mais invasivos, apesar de, ao mesmo tempo, levantarem questões éticas com relação ao possível aumento no índice de abortos.
Pesquisadores afirmam que os novos testes podem não ser tão confiáveis quanto os já existentes, como amniocentese ou a chamada biópsia de vilo coriônico. Essas técnicas têm um pequeno risco de indução de aborto devido ao seu caráter invasivo. Por outro lado, os procedimentos podem reduzir o número de mães que precisem passar pelos testes invasivos em que se colhem células do feto no útero.
Para Stephen A. Brown, professor adjunto de obstetrícia e ginecologia na Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, os lançamentos diminuem enormemente a quantidade de procedimentos necessários. Isso muda a obstetrícia de forma positiva, afirma o médico, que não tem relações financeiras com as empresas que produzem o novo teste.
O primeiro desse novo tipo de testes a ser lançado, que analisa o DNA fetal no sangue da mãe, está sendo oferecido em 20 cidades dos Estados Unidos, é produzido pela companhia biotecnológica Sequenom, de São Diego – cujo último lançamento na área da síndrome de Down gerou um grande escândalo por manipulação de resultados dos testes no país.
Os resultados de um estudo publicado na semana passada na revista Genetics in Medicine mostram que o novo procedimento capturou 98,6% de todos os casos de Síndrome de Down existentes no grupo pesquisado.
Os índices de falsos positivos – quando o teste afirma que o bebê é portador da doença, e ele acaba nascendo sem os sintomas – ficaram em 0,2%.
Segundo Jacob A. Canick, professor de patologia na Universidade de Brown e um dos autores do estudo, esse é o melhor teste não invasivo já elaborado. Ele pode ser realizado com apenas dez semanas de gravidez, apesar de metade das amostras no estudo terem sido feitas a partir de grávidas já no segundo trimestre, o que significa 15 ou mais semanas de gravidez.
Outra empresa, a Verinata Health, também nos Estados Unidos, declarou que irá introduzir no mercado um teste similar no início de 2012. E uma terceira, a Gene Security Network, espera lançar um produto do tipo até o fim de 2012.
Um dos problemas dos novos testes, citado com frequência, é o preço: Eles custam US$ 1.900 – o equivalente a R$ 3.400 -, mais ou menos o mesmo valor pago pela amniocentese.
Segundo a empresa que fez o lançamento, mulheres dos EUA que tiverem plano de saúde terão que pagar apenas US$ 235, e o resto será – em teoria – pago pelo plano. Ainda não se sabem, porém, quais planos vão aderir ao teste.

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