Matéria do Hoje em Dia

Efeito direto da pandemia, que tem gerado desemprego e queda de renda em todo o mundo, o número de inscritos como Microempreendedores Individuais (MEIs) cresceu 20% em Minas no acumulado de janeiro a maio, em relação ao mesmo período de 2019. Segundo o Sebrae, no último mês havia 1,152 milhão de mineiros registrados na modalidade, 11% do total no país.

Analista da entidade no Estado, Laurana Viana admite que a quantidade de MEIs poderia ser bem maior, não fosse a resistência de muita gente. “Há uma parcela grande de pessoas que simplesmente descarta a formalização”, diz ela. 

Conforme o IBGE, apenas de janeiro a março deste ano – o que inclui o primeiro mês da pandemia –, 2,4 milhões de mineiros, ou 25% dos trabalhadores acima de 14 anos do Estado, disseram atuar por “conta própria”, sem registro. Além deles, pouco mais de 1,1 milhão definiram-se como “sem carteira”, constituindo igualmente potenciais candidatos ao MEI.

Para Laurana, entre os motivos para a não regularização está o seguro-desemprego, que pode ser suspenso para demitidos que obtenham CNPJ. Também contribui o desconhecimento das vantagens de se criar uma microempresa, mediante pagamentos mensais de R$ 52,25 (INSS), acrescidos de R$ 5 (para prestadores de serviços) ou de R$ 1 (para comércio e indústria). 

“Apesar da simplificação feita na formalização do MEI, exatamente para que as pessoas saiam da informalidade e tenham acesso, por exemplo, à Previdência Social, muitos não conhecem tais benefícios ou têm receito de que, ao se registrar, precisem pagar impostos abusivos”.

Ex-produtora em uma empresa de feiras e eventos – um dos setores mais atingidos pela crise da Covid-19, por depender de aglomerações –, Mônica Mansur, de 38 anos, perdeu o emprego logo no início da pandemia. Sem renda, usou o talento que exercia em casa para lançar um delivery de comida mineira na capital. 

Especializada em pratos como o tradicional frango com quiabo e angu, a @den.di.casa.comidamineira, na qual, por enquanto, apenas Mônica trabalha, foi aberta na quarta-feira passada e, graças a um perfil em rede social e ao “boca a boca” de clientes, pode ganhar voos mais altos. “Vou entrar no MEI e, com as vendas crescendo, devo contratar ajudantes”. 

O ex-recepcionista de hotel Roberto Romeike, de 34, vítima da retração econômica, também partiu para o empreendedorismo, e no mesmo setor: comida. Em abril, inaugurou a “Rô Burguer”, fazendo sanduíches artesanais, e já formalizou-se como MEI. “Com o apoio do Sebrae e os elogios que tenho recebido, pretendo prosperar”.

Para quem se aventura no ramo, vale a dica de Laurana Viana: “O empreendedor deve ficar atento. Não basta virar MEI, é preciso seguir à risca regras da área de alimentação, as de segurança e as sanitárias, por exemplo”, aconselha ela.

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