A presidentE Dilma Rousseff, afastada de suas funções por até 180 dias em decisão do Senado Federal, órgão ao qual constitucionalmente caberia aceitar ou não as razões que a partir de agora serão analisadas nesta nova fase do processo e que colocam à frente do Poder Executivo, seu vice Michel Temer, pelo teor da notificação a ela entregue, soube oficialmente que, a partir do recebimento da intimação, está instaurado o processo de impedimento […] por crime de responsabilidade.

Do mesmo documento, consta a informação de que serão mantidas durante esse período as prerrogativas do cargo relativas ao uso de residência oficial, segurança pessoal, assistência à saúde, transporte aéreo e terrestre, remuneração e equipe a serviço do Gabinete pessoal da Presidência. Tudo, aliás, anunciado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, ao término da sessão, que por sinal, durou mais de 20 horas para, após a votação chegar-se ao resultado de 55 votos a favor e 22 contra o impedimento.

Dilma, portanto, afastada por decisão do Senado, como dito, continuará recebendo salários e tendo mantidas a seu favor as regalias acima enumeradas.

Pois bem, na Câmara dos deputados, por decisão do Supremo, foi afastado (suspenso) dias antes, o então presidente da Casa, Eduardo Cunha que, provavelmente agora, segundo informa o primeiro secretário Beto Mansur, deverá igualmente ter mantidas em seu favor, as mordomias equivalentes às dela.

“Se pau que dá em Chico, também dá em Francisco”, imagina-se que aqui na terra das Areias Brancas, alguns vereadores, secretários e servidores também afastados por ordem judicial, queiram agora, com justa razão, pleitear o recebimento de seus caraminguás e quem sabe, a manutenção das mordomias – ainda que em grau infinitamente menor – pelos “bons serviços prestados” na condição de escolhidos (eleitos) pelo povo ou de indicados por seus “padrinhos”.

Se atendidas suas reivindicações, ainda que por via judicial, pergunta-se: e os assessores demitidos, como ficarão? E mais ainda: Quem arcará com os gastos havidos com as novas contratações (de assessores) e com os subsídios ou salários pagos aos seus substitutos pelos poderes Legislativo e Executivo?

Não há dúvida de que a solução desta pendenga interessa muito e de perto a todos nós, pagantes de impostos que ao final das contas, bancamos toda esta “festa”.

E concluindo, ainda fazendo um paralelo entre o que ocorreu lá em Brasília e trazido a conhecimento público com repercussão mundial: gostaríamos de ver respondido o questionamento que povoa a cabeça de zilhões de pensantes, Brasil afora, os quais não entendem como, guardadas as devidas proporções, denúncias e inquéritos em andamento nas diversas instâncias do Judiciário, envolvendo prefeitos e governadores que em tese  praticaram crimes tão graves quanto aos daqueles, continuem, ainda hoje, impunemente a dilapidar o patrimônio público ou exercitando a seu modo, pedaladas que são também uma forma de burlar a mesma Lei de Responsabilidade Fiscal,  aquela que serviu de base para as justificativas do acolhimento do processo contra a turma lá de Brasília.

Se aqueles que figuram em processos em andamento no Judiciário por razões, semelhantes foram afastados, por quê então, tantos outros em igual condição, ainda continuam indefinidamente no exercício de suas funções?

Ora, se o Brasil é um só e se a Constituição vale para todos; que a Justiça atue com mais equidade: isto é o mínimo que o povo exige!

Comentários
COMPATILHAR: