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Obra na hidrovia Tietê-Paraná poderá beneficiar lago de Furnas

Hidrovia Tietê-Paraná — Foto: Reprodução/TV TEM

Está previsto para o dia 17 de abril a conclusão das obras de derrocamento no rio Tietê. Trata-se da retirada de um grande pedral, que demandava um volume maior de água no canal entre as usinas de Nova Avanhandava e Três Irmãos (SP) – na hidrovia Tietê-Paraná – para que o transporte de produtos pudesse ser feito sem que os veículos esbarrassem nestas rochas.

Com a conclusão das obras, a região do lago de Furnas e de toda a bacia do Rio Grande, que deságuam na hidrovia poderá ser beneficiada, já que a água turbinada nestas usinas para gerar energia elétrica vão naturalmente para a hidrovia, pois o sistema é todo interligado.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as obras agora em fase de conclusão terão impacto direto na operação do sistema nacional, com a ampliação do volume útil dos reservatórios a montante. Para o lago de Furnas, esse aumento pode chegar a 23%.

Mesmo com alterações na operação do sistema elétrico, a matriz elétrica brasileira continua sendo majoritariamente de origem hidráulica (67%). Energia solar responde por 14% e energia eólica por 9%. São todas fontes renováveis que, somadas, respondem por 90% de toda a energia elétrica do país.

Para o secretário-executivo da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), Fausto Costa, a luta pela derrocada do pedral da hidrovia Tietê-Paraná vem de décadas.

“Agora, com a retirada, será bom para a navegabilidade no canal. Antes, por causa das rochas, era necessário um volume grande de água para que as embarcações flutuassem melhor e não batessem no pedral”, explica.

Com isso, havia necessidade de muita água para que a passagem dos veículos de carga acontecesse sem incidentes. Para isso, usava-se a água de Furnas e outros reservatórios do rio Grande e do rio Paranaíba em Minas.

“Mas não se trata de desvio de água, como muitos pensam. Essa água turbinada ia mesmo descer, seguir seu caminho. Não tem como água turbinada voltar no lago. No entanto, o sistema aproveitava essa realidade e aumentava o turbinamento para dar melhor condição de operação ao canal”, disse Fausto.

Segundo Costa, isso “consumia mais água dos reservatórios e o derrocamento vinha sendo pleiteado há décadas. Os governos federal e estadual de São Paulo assumiram a obra, que teve paradas ao longo do tempo. Agora, com recursos da desestatização de Eletrobras Furnas, o governo paulista finalmente vai concluir as obras.”

“A partir do dia 18, a operação do reservatório de Furnas e outros do rio Grande já vai mudar. A operação será em um volume menor. Isso é bom para a nossa região”, ressalta.

Mas, enfatiza, somente essa obra não garante definitivamente a cota mínima de 762 metros acima do nível do mar para Furnas. “É mais um fator positivo para atingirmos uma estabilidade maior para o reservatório e de forma mais permanente, mas não resolve tudo”, lembra.

Para ele, cada novo instrumento que ajude a região a conseguir essa garantia de cota mínima é importante. Ele lembra que a lei 9433, que reconhece o uso múltiplo das águas dos reservatórios, também é um instrumento. Da mesma forma, a emenda à Constituição Mineira, que considera o lago de Furnas como patrimônio dos mineiros e define a cota 762 como mínima.

Além disso, está em discussão no Congresso Nacional a chamada Lei Mar de Minas que, se aprovada, vai mesmo definir uma cota de garantia. “Somando tudo isso mais as ações empreendidas por instituições como a Alago e outras, vamos chegando mais perto dessa garantia. Só que nenhum desses instrumentos, sozinho, é capaz de fazer com que a cota mínima seja mantida independentemente do clima e da operação do sistema elétrico.”

Nove usinas hidrelétricas estão instaladas no rio Grande e no rio Paranaíba e deságuam na hidrovia: além de Furnas, Mascarenhas de Morais (Peixoto), Luiz Carlos Barreto (Estreito), Volta Grande, Porto Colômbia, Marimbondo e Água Vermelha. Acima de Furnas estão Itutinga e Funil.

Em São Paulo, hidrelétricas do rio Tietê também têm água chegando à hidrovia. Porém, Fausto reforça: essas águas são turbinadas, ou seja, foram usadas para gerar energia e somente depois seguiam seu curso até a hidrovia Tietê-Paraná e de lá ainda mais para baixo.

Poucas vezes o vertedouro do lago de Furnas foi aberto, permitindo a passagem de água sem geração de energia. A última foi em janeiro de 2023, dado o grande volume de água que chegou ao reservatório e que, sem ser dispensada, poderia causar inundações na região.

 

Fonte: Jornal dos Lagos/reportagem Majô de Souza