O ano de 2014 é o começo de nossa crise econômica e política atual. Tivemos o acirramento do combate à corrupção, foi iniciada a queda dos preços das commodities (ferro, petróleo, etc.), Dilma Rousseff foi reeleita e, a seguir, a oposição não aceitou o resultado das eleições.

A conjunção de todos esses fatores resultou em termos atualmente 13 milhões de desempregados, miséria crescente, diminuição do PIB, crise fiscal dos Estados e municípios, etc.

Nesse quadro, diversas empresas condenadas no âmbito da Lava-Jato deixaram de funcionar por descuidos de alguns dos seus administradores, sócios, diretores e também de políticos e agentes públicos.

Apesar das pessoas e empresas envolvidas diretamente nas práticas delituosas merecerem, obrigatoriamente, sofrer as consequências penais e civis de seus atos, não se pode aceitar terceiros, alheios às irregularidades perpetradas, virem a perder empregos, entes públicos não arrecadarem tributos, empresas paralisarem as suas atividades, etc.

As empresas desempenham grande papel social ao gerarem empregos, riquezas, tributos, oportunidades, etc. Faltou os agentes públicos da Lava-Jato terem tido o cuidado na condução dos procedimentos para conservá-las e preservá-las.

Infelizmente não foi o ocorrido. Com o discurso de combate à corrupção foram cometidos excessos, como o vazamento de delações premiadas e a realização operações midiáticas, com exposição desnecessária das pessoas e empresas. A única preocupação era atingir os seus objetivos imediatos.

O resultado desses excessos ocasionou dificuldades para as empresas, com o desmantelamento de importantes ramos da economia nacional, como o do setor de construção pesada.

O caso mais emblemático é o da Odebrecht S.A.. empregadora de 45 mil trabalhadores diretos, atingida pelas operações da Lava-Jato e pela recessão econômica. Em virtude dessas dificuldades, pediu recuperação judicial para poder restabelecer atividades e ter condições para quitar as suas dívidas bilionárias.

Saliente-se, a Odebrecht cumpriu todos os compromissos pactuados com a Justiça e também implantou modelo de governança e controles rígidos. Apesar disso, luta para se reerguer.

O caso da empresa americana Walmart ilustra o combate à corrupção com a manutenção saudável da empresa. Envolvida em pagamento de propina para a abertura de novas lojas, em diversos países, foi investigada pelo governo americano por sete anos e, ao final, foi multada e adotou procedimentos internos mais rígidos. Quer dizer, ocorreu apuração sem alarde e sem desgaste à imagem da empresa, e, após isso, a empresa mantém o seu funcionamento normal e cumpre plenamente o seu papel social.

Combater a corrupção é importantíssimo e para isso devemos revisar os nossos procedimentos para preservar a integridade das reputações das empresas envolvidas, para poderem continuar a exercer o seu papel social.

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