O preço dos pães, biscoitos, bolos, macarrão e tudo o que leva farinha de trigo vai subir. Só não há consenso sobre o quanto esses produtos vão ficar mais caros. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), derivados da farinha deverão subir cerca de 10% até março.
Já o coordenador de pesquisas econômicas da Fundação Getúlio Vargas, Salomão Quadros, acredita que, embora o preço do trigo tenha apresentado alta de 9% na segunda prévia do IGP-M em fevereiro, o consumidor não precisa, por enquanto, se desesperar. Ele leva em consideração o medo de perder o cliente. A padaria pode aguentar um pouco e arcar com o custo, avalia. Para o especialista em preços, a alta do pão de sal não deve ultrapassar 1% para o consumidor final, num prazo de três semanas.
A crise do trigo teve início com a seca na Argentina, que quebrou a safra no país. É de lá que o Brasil compra a maior parte do trigo que consome. A última safra brasileira, referente ao segundo semestre de 2008, foi de 5,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo permaneceu o mesmo – 10 milhões de toneladas.
O pão deverá ser o produto mais afetado pela situação argentina, pois é fabricado com o tipo de trigo produzido lá, e que deverá ser substituído pelo de outros países, com preço mais alto. Já entramos no período de entressafra, em que é normal a alta do trigo e, por consequência, de seus derivados. Com a quebra da safra Argentina, o Brasil terá que comprar de outros países, como Estados Unidos e Canadá, já que não é autossuficiente em trigo, o que pressionará um pouco mais o preço. Mas é cada vez menor a proporção que o país compra de fora, explica Cláudio Zanão, presidente da Abima. A meta é tornar o país produtor de 70% do trigo que consome até 2012.
A alta de preços não será igual para todos os produtos, já que cada um é produzido com um tipo de trigo específico, e em porcentagens diferentes. Quase todos os derivados têm cerca de 70% de sua composição feita de trigo. O pão leva trigo do tipo hard, argentino, mas os demais produtos são feitos com variados tipos de trigo de outros países, e também com trigo nacional, do tipo soft, explica.
Moinhos. Para os moinhos, o preço do trigo já está mais caro cerca de 16%. O moinho Arapongas, do Paraná, comprou a tonelada de trigo em janeiro a R$ 500, e em fevereiro a R$ 580. Fica mais barato importar da Argentina por causa do preço do frete nas nossas estradas, que supera o preço do transporte por mar. Para o trigo brasileiro se tornar competitivo os produtores precisam de garantias de produção, e de grande melhora no escoamento, diz um dos proprietários do moinho, Sérgio Bonato Kümmel.
Para entender
Trigo soft
Usado pela indústria de massas e biscoitos. É o produzido no Brasil e na Rússia, por exemplo
Trigo hard
É o que serve para fabricação do pão de sal. Tem no Brasil, na Argentina e nos EUA, entre outros
Quanto custa a tonelada de trigo (estimativa)
Hard da Argentina… US$ 250
Soft da Argentina…. US$ 207
Hard dos EUA………. US$ 240
Soft da Rússia……… US$ 190
Mix dos dois tipos… US$ 207
Problema
Considerando o frete (US$ 22/ton dos EUA e US$ 12/ton da Argentina), e a Tarifa Externa Comum (TEC) de 10% sobre dos demais, o argentino fica mais barato.








